Usando a orientação para a realidade na doença de Alzheimer e outras causas de demência

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Principais conclusões

  • A orientação para a realidade pode ajudar as pessoas com demência a se sentirem mais conectadas ao ambiente ao seu redor, incluindo informações sobre hora, lugar e nomes nas conversas.
  • O uso de técnicas de orientação para a realidade pode retardar o declínio cognitivo e atrasar a colocação em lares de idosos para pessoas que vivem com demência.

A orientação para a realidade tem as suas raízes numa técnica usada com pessoas idosas confusas para ajudá-las a envolverem-se e a conectarem-se com o seu ambiente.É uma abordagem em que o ambiente, incluindo datas, locais e arredores atuais, é frequentemente apontado e integrado nas conversas com a pessoa. A orientação para a realidade, quando utilizada de forma adequada e com compaixão, também pode beneficiar aqueles que vivem com a doença de Alzheimer e outras demências.

As ferramentas de orientação para a realidade visam reforçar a nomeação de objetos e pessoas, bem como uma linha do tempo de eventos, passados ​​ou presentes. Isso normalmente envolve:

  • Falar sobre orientação, incluindo o dia, a hora do dia, a data e a estação do ano
  • Usar o nome das pessoas com frequência
  • Discutindo eventos atuais
  • Referindo-se a relógios e calendários
  • Colocar sinais e etiquetas em portas, armários e outros objetos
  • Fazendo perguntas sobre fotos ou outras recordações

Eficácia

Vários estudos demonstraram que o uso da orientação para a realidade melhorou o funcionamento cognitivo das pessoas que vivem com demência quando comparado com grupos de controle que não a receberam.

A orientação para a realidade também demonstrou melhorar a cognição quando acompanhada de medicação. De acordo com um estudo daJornal Britânico de Psiquiatria, o uso da orientação para a realidade por familiares treinados quando associado ao medicamento Aricept (donepezil) demonstrou melhora no funcionamento cognitivo.Não foi encontrado nenhum efeito no humor ou comportamento.

Uma revisão de 2013 publicada em Demência e Distúrbios Cognitivos Geriátricos concluiu que o uso da orientação para a realidade ajuda a atrasar a colocação em lares de idosos, retardando o declínio cognitivo.

Também pode haver outros benefícios. Depois de revisar seis ensaios clínicos randomizados, um estudo noBiblioteca Cochraneconcluíram que pode haver algum benefício não apenas na cognição, mas também nos comportamentos desafiadores que podem reduzir a qualidade de vida em pessoas com demência.

Orientação para a Realidade vs. Terapia de Validação

A orientação para a realidade experimentou, até mais recentemente, um declínio em popularidade ao longo dos anos, especialmente em comparação com a terapia de validação. Isso se deve, em grande parte, à preocupação das pessoas em aplicar a orientação da realidade de forma ampla, sem levar em conta as emoções e a saúde mental da pessoa.

Em contraste com a orientação para a realidade, a terapia de validação enfatiza os sentimentos por trás dos comportamentos ou declarações. Isso incentiva a pessoa a falar sobre a realidade em que se encontra (em vez daquela que sabemos ser verdadeira) e acredita que, ao processar alguns problemas talvez não resolvidos, ela eventualmente conseguirá ficar mais em paz.

A orientação estrita para a realidade poderia resultar numa imposição severa da realidade “real” – resultando em respostas cruéis a perguntas como “Onde está minha mãe?” – a orientação de validação estabelece o contexto pelo qual enquadrar a resposta. Em vez de fornecer os fatos e apenas os fatos, a pessoa pode responder: “Sua mãe morreu há muito tempo. Você tem 92 anos e sua mãe não poderia estar viva hoje”.

A terapia de validação visa reconhecer os sentimentos de uma pessoa e discuti-los para ajudar a orientar quando os eventos ocorreram, o que significam e como se relacionam com os comportamentos atuais.

Precauções

Como regra, a orientação para a realidade deve ser misturada com compaixão e usada de forma adequada para beneficiar alguém que vive com a confusão da demência. Aplicá-lo sem avaliar se pode causar sofrimento emocional ao indivíduo, pois há momentos em que não seria adequado.

Em muitas situações, como conversas diárias casuais, a orientação para a realidade pode ser usada para ajudar a orientar a pessoa sobre o ambiente ao seu redor. No entanto, se a pessoa com quem você está falando ficar mais chateada em vez de menos, é seguro apostar que você deve recuar em suas tentativas de orientação e deixar a compaixão conduzir sua conversa, juntando-se à realidade dela.

Em termos gerais, a orientação para a realidade pode ser mais adequada para pessoas com comprometimento cognitivo leve a moderado. Neste contexto, não só ajuda a atrasar a colocação em lares de idosos, mas também proporciona uma melhor sensação de controle e auto-estima.

Perguntas frequentes

  • O que é orientação para a realidade?

    A orientação para a realidade é uma técnica terapêutica usada com pessoas que têm demência ou estão desorientadas. A abordagem consiste em inserir detalhes do ambiente ao seu redor na conversa, incluindo onde estão, com quem estão e que dia é hoje. O objetivo da orientação para a realidade é melhorar a função cognitiva e psicomotora. 

  • Quais são os benefícios da orientação para a realidade?

    Foi demonstrado que o uso de técnicas de orientação para a realidade com pessoas que vivem com demência retarda o declínio cognitivo e pode até melhorar o funcionamento cognitivo. Além disso, o uso da orientação para a realidade pode ajudar a atrasar a colocação em lares de idosos. 

  • Como você pode usar uma abordagem de orientação para a realidade nas interações?

    Para usar uma abordagem de orientação para a realidade, inclua informações sobre hora, local e nomes na conversa. Essas coisas podem ajudar a refrescar a memória da pessoa de uma forma que não a deixe constrangida. 

    Detalhes para incluir nas conversas: 

    • Hora: hora do dia, dia da semana, mês, data ou estação
    • Localização: o nome da instalação, cidade, estado ou país
    • Nome: dirija-se à pessoa pelo nome e use o seu nome ao falar sobre você 

    O objetivo é inserir detalhes que possam ajudar a orientar a pessoa para a realidade presente. Por exemplo, ao falar sobre o clima, mencione o mês e o estado, como “É um lindo dia de abril em Nova Jersey”.

    Ao entrar em uma sala, cumprimente a pessoa dizendo: “Olá (nome), sou eu (nome)”.