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Introdução
A dor no ombro está entre as cinco principais queixas musculoesqueléticas em clínicas de cuidados primários e de medicina esportiva. Como múltiplas estruturas compartilham o mesmo espaço – tendões do manguito rotador, a cabeça longa do bíceps, o lábio e a bursa subacromial – um único estudo de imagem raramente conta a história completa. É por isso que manobras especiais de exame físico continuam indispensáveis para identificar a estrutura culpada. Uma das manobras mais reveladoras para dor anterior no ombro é o Teste de Speed. Corretamente executado, atua como um holofote sobre a cabeça longa do tendão do bíceps e sua fixação ao lábio superior.
Este guia detalhado desmistifica o Teste de Speed, explica como realizá-lo sem armadilhas comuns, esclarece o que constitui um resultado positivo e explora os diagnósticos mais frequentemente confirmados quando a dor no sulco surge sob seu corpo.apalparpontas dos dedos.
1. Atualização de anatomia: por que o ritmo é importante
Antes de segurar o pulso de um paciente, imagine as estruturas subjacentes:
| Estrutura | Relevância para o teste de velocidade |
|---|---|
| Tendão da cabeça longa do bíceps (CLBT) | Percorre o sulco bicipital; a tensão aqui provoca dor no teste. |
| Sulco bicipital (intertubercular) | Canal fibroósseo que abriga e estabiliza o LBBT. |
| Lábio superior | LHBT ancora aqui; As rupturas SLAP inflamam a âncora do tendão. |
| Intervalo do manguito rotador | O uso excessivo pode inflamar o tecido adjacente do manguito, imitando a dor da LBBT. |
Qualquer inchaço, desgaste ou instabilidade nessas estruturas pode sensibilizar os mecanorreceptores, de modo que a flexão resistida do ombro reproduz instantaneamente os sintomas.
2. Indicações: quando o teste de velocidade deve estar no topo da sua lista de exames
- Dor anterior no ombro que piora ao alcançar a cabeça
- Sensibilidade localizada ao longo do sulco bicipital à palpação
- Suspeita de tendinite/tendinopatia do bíceps em atletas de arremesso ou sobrecarga
- Possível lesão SLAP (Labrum Superior Anterior-Posterior) após tração ou queda com o braço estendido
- Dor persistente apesar dos sinais negativos de impacto (Neer, Hawkins-Kennedy)
3. Contra-indicações e precauções
- Pós-operatório imediato de cirurgia do manguito rotador ou bíceps
- Luxação ou fratura aguda do ombro
- Dor intensa que impede qualquer flexão ativa – opte primeiro pela imagem
Dica:Se a escala de dor do paciente for ≥ 8/10 em repouso, adie o teste provocativo; os falsos positivos disparam em ombros altamente irritáveis.
4. Técnica passo a passo: executando testes de velocidade como um profissional
Equipamento necessário:Suas mãos e seu julgamento clínico – não são necessários dispositivos sofisticados.
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Posicione o paciente
- Sentado ou em pé, pés apoiados, núcleo engajado.
- Braço relaxado ao lado, cotovelo totalmente estendido (ou ≤ 10° flexionado).
- Antebraço supinado (palma para frente).
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Explique a manobra
- “Vou pressionar enquanto você levanta o braço na frente. Diga-me se você sente dor e onde.”
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Guie o movimento
- Peça ao paciente para flexionar ativamente o ombro a 90°.
- Mantenha a extensão do cotovelo e a supinação do antebraço durante todo o processo.
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Aplicar resistência
- Coloque sua mão próximo ao pulso do paciente.
- Com a outra mão palpe o sulco bicipital.
- Peça ao paciente para manter a posição (“não me deixe empurrá-lo para baixo”) enquanto você aplica uma força descendente constante por 3 a 5 segundos.
-
Observe e pergunte
- Observe sinais faciais; pergunte: “Alguma dor? Aponte para ela.”
- Observe a localização, intensidade e reprodução dos sintomas familiares.
-
Repita bilateralmente
- Comparar os lados ajuda a controlar o limiar de dor e as diferenças de força do braço dominante.
5. Interpretando Resultados: Positivo vs. Negativo
| Encontrando | Interpretação | Próxima etapa clínica |
|---|---|---|
| Dor aguda e localizada no sulco bicipital | Provável tendinite LHBT ou lesão SLAP | Combine com o Teste de Yergason; considere ultrassonografia ou ressonância magnética se o tratamento conservador falhar. |
| Dor difusa na parte anterior do ombro sem sensibilidade localizada | Possível impacto subacromial ou patologia do manguito | Realizar testes de Neer e Hawkins-Kennedy; solicite ressonância magnética se houver sinais de bandeira vermelha. |
| Fraqueza sem dor | Possível ruptura da LHBT ou causa neurológica | Palpar em busca do sinal ‘Popeye’; ultrassonografia para descontinuidade de tendão. |
Instantâneo de sensibilidade e especificidade
- Sensibilidade: 63 – 81 % (varia de acordo com a habilidade do examinador e a população de pacientes)
- Especificidade: 32 – 75 %
O emparelhamento com os testes de Yergason e O’Brien aumenta as probabilidades de diagnóstico pós-teste.
6. Diagnósticos comuns confirmados por um teste de velocidade positivo
A. Tendinite/tendinopatia do bíceps
- Fisiopatologia:Movimento repetitivo acima da cabeça → microrragias → inflamação.
- Pérolas clínicas:Rigidez matinal, dor ao levantar um galão de leite.
- Gerenciamento:AINEs, terapia de carga excêntrica, esteroides guiados por ultrassom, se necessário.
B. Lesões SLAP (tipo II mais comum)
- Mecanismo:Lesão por tração, desaceleração de arremesso ou queda com a mão estendida.
- Bandeiras vermelhas:Clicando, pegando, sensação de “braço morto” durante o arremesso.
- Confirmação:Artrografia por RM → reparo cirúrgico em atletas de alta demanda.
C. Subluxação ou instabilidade do tendão do bíceps
- Etiologia:Sulco raso, ruptura do ligamento transverso do úmero ou frouxidão capsular no intervalo do manguito rotador.
- Sinal:Estalo audível ou palpável durante a rotação do braço.
- Tratamento:Fisioterapia para fortalecimento do manguito rotador; aprofundamento cirúrgico do sulco se recorrente.
7. Armadilhas e como evitá-las
| Armadilha | Solução |
|---|---|
| Cotovelo flexionado > 15 ° → reduz a carga de tração no LHBT | Lembre o paciente de endireitar o cotovelo. |
| Antebraço pronado → recruta braquial em vez de bíceps | Diga “palma para cima”. |
| O examinador empurra muito abruptamente → provoca guarda | Aplique resistência gradual e constante. |
| Ignorar a descrição verbal da dor do paciente | Sempre pergunte: “Essa é a sua dor habitual?” |
8. Integrando o teste de velocidade em um algoritmo de ombro abrangente
- História → atleta aéreo? início traumático?
- Inspeção → inchaço, deformidade de Popeye.
- Palpação → sensibilidade do sulco.
- ROM e Força → limitações ativas versus passivas.
- Testes Especiais
- Impacto anterior (Neer, Hawkins)
- Estabilidade do bíceps (Speed, Yergason, Upper-Cut)
- Estresse labral (O’Brien, Crank)
- Imagem → ultrassom para visualização dinâmica do tendão na ranhura; RM para labrum.
- Plano de tratamento → adaptado à patologia e ao nível de atividade.
9. Atualização de evidências: o que dizem as pesquisas mais recentes (2023–2025)
- Revisão sistemática (2024, J Shoulder Elbow Surg): A combinação de Speed com Yergason melhorou a razão de chances de diagnóstico para rupturas SLAP em 2,1 × em comparação com qualquer um deles isoladamente.
- Coorte prospectiva (2025, Sports Med): Atletas cuja tendinite LBBT foi identificada com o teste de velocidade e tratada por meio de um programa excêntrico estruturado retornaram a jogar 28% mais rápido do que o grupo de diagnóstico apenas por ressonância magnética.
- Estudo biomecânico (2023, Clin Biomech): A supinação do antebraço aumenta a carga do TCLB em 45% versus a pronação, validando o posicionamento do teste.
10. Educação do paciente: explicando o teste de velocidade em linguagem simples
“O tendão do bíceps passa por um pequeno sulco na frente do ombro. Ao pedir para você levantar o braço enquanto pressiono para baixo, enfatizamos esse tendão. Se estiver inflamado, você sentirá uma dor familiar bem aqui (ponto). O resultado nos ajuda a decidir se terapia, imagem ou outro tratamento é o melhor próximo passo.”
Explicações claras geram confiança, melhoram a adesão à reabilitação e reduzem a ansiedade sobre novos testes.
11. Caminhos de manejo após um teste positivo
| Gravidade | Cuidados de primeira linha | Escalada | Cronograma esperado |
|---|---|---|---|
| Tendinite leve | Gelo, AINEs, mod de atividade | Fisioterapeuta com fortalecimento excêntrico | 4–6 semanas |
| Tendinopatia moderada | Adicionar esteróide guiado ou plasma rico em plaquetas | Ressonância magnética se não houver alteração em 6 semanas | 6–12 semanas |
| SLAP Grau II+ | Julgamento PT se não for atleta | Reparo artroscópico ou tenodese | 3–6 meses |
| Instabilidade do tendão | Fisioterapia + gravação | Aprofundamento/tenodese de ranhura | 3–6 meses |
Sempre adapte-o à idade do paciente, às demandas de atividade, às comorbidades e aos objetivos.
12. Acompanhamento: usando o teste de velocidade como referência de reabilitação
Repita o teste de velocidade a cada 2–4 semanas durante a reabilitação:
- A pontuação de dor cai ≥ 50 % → progresso para exercícios específicos do esporte.
- Ainda positivo em 12 semanas → considere exames de imagem ou encaminhamento cirúrgico.
O novo teste objetivo mantém os atletas honestos sobre a melhora dos sintomas e sinaliza patologias persistentes antes do retorno ao jogo.
Conclusão
Executado corretamente, o Teste de Speed é uma manobra de baixa tecnologia, mas de alto rendimento, para desmascarar o tendão do bíceps e a patologia labral superior. Ao dominar o posicionamento do paciente, a resistência consistente e a palpação precisa do sulco, os médicos podem transformar um simples teste de empurrar e resistir em um poderoso aliado de diagnóstico. Combine-o com testes especiais corroborantes, imagens quando necessário e reabilitação baseada em evidências para fornecer cuidados com os ombros mais rápidos e precisos, ajudando tanto os guerreiros de fim de semana quanto os atletas de elite a retornarem à função sem dor.
Principais conclusões
- Mantenha a extensão do cotovelo e a supinação do antebraço para maximizar a tensão da CLBT.
- Dor no sulco positiva sugere tendinite do bíceps, lesão SLAP ou instabilidade.
- Combine Speed com testes labrais e de Yergason para aumentar a precisão do diagnóstico.
- Eduque os pacientes: a compreensão do teste promove a adesão aos planos de reabilitação.
- Acompanhe o teste de velocidade durante o acompanhamento para quantificar a recuperação e orientar as decisões de retorno ao jogo.
Armado com este manual abrangente, você pode pressionar, resistir e diagnosticar com confiança, tornando o Teste de Velocidade uma parte integrante do seu arsenal de avaliação de ombros.
Leia também:
- Compreendendo a importância do teste de velocidade nas avaliações modernas do ombro
