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É comum que empresas públicas gerem crescimento por meio de aquisições. Freqüentemente, é mais fácil para uma empresa adquirir um negócio do que tentar construir um do zero. Nem todas as aquisições dão certo. Às vezes, com o tempo, as empresas percebem que pagaram a mais ou que a unidade de negócios adquirida não está gerando o tipo de receita que todos esperavam.
Quando uma empresa tem um ativo que foi comprado por uma quantia em dinheiro, mas que agora inesperadamente não tem valor (e a empresa acredita que não será capaz de recuperar a perda), esse ativo é considerado “prejudicado”.
Imparidade e baixas
No início de 2000, a AOL e a Time Warner combinaram-se numa fusão de 165 milhões de dólares de dois gigantes da mídia e da internet. A fusão foi um grande negócio na época, mas provou ser uma das transações mais desastrosas na história da América corporativa.
No final de 2002, era evidente que a fusão não trouxera o tipo de resultados financeiros que as pessoas esperavam. Na verdade, a nova empresa combinada reportou um prejuízo líquido de 98,7 mil milhões de dólares em 2002. Isto incluiu uma “depreciação” ou “anulação” de mais de 45 mil milhões de dólares decorrente da AOL e de outras empresas que perderam valor. Essencialmente, a AOL estava sendo declarada um ativo depreciado.
Ativos depreciados e ágio
Para compreender o conceito de ativos depreciados, é útil compreender o conceito financeiro de goodwill. Em termos simples, o ágio é o valor atribuído aos aspectos intangíveis de um negócio e geralmente é referenciado quando uma empresa adquire outra empresa por um valor superior ao valor contábil. Por exemplo, digamos que a Empresa A esteja avaliada em US$ 100 milhões, mas a Empresa B a adquira por US$ 125 milhões. Os US$ 25 milhões são chamados de ágio e podem ser registrados no balanço patrimonial da Empresa B. Essa boa vontade pode resultar do valor da marca ou reputação de uma empresa, ou de alguma outra razão intangível.
Com o tempo, porém, pode ficar claro que não valia a pena pagar um prêmio pela empresa adquirida. Talvez agora essa empresa mal valha os US$ 100 milhões pelos quais foi originalmente avaliada, e muito menos os US$ 25 milhões adicionais. Quando isso acontece, uma empresa pode reivindicar uma “imparidade do goodwill” no seu balanço e o valor do goodwill é reduzido. As empresas são obrigadas a testar anualmente o seu goodwill quanto à imparidade.
No caso acima envolvendo AOL e Time Warner, as principais perdas foram registradas como “imparidades de goodwill”.
Imparidade não é o mesmo que depreciação
Todos os ativos têm vida útil. Se uma empresa adquirir uma grande quantidade de máquinas, pode esperar que as máquinas se tornem menos úteis e valiosas com o tempo. Essa perda gradual de valor é chamada de depreciação.
Depreciação e redução ao valor recuperável não são a mesma coisa. As empresas podem planejar a depreciação dos ativos e contabilizarão isso em suas demonstrações financeiras. Por exemplo, se uma empresa pagou US$ 10 milhões por máquinas em 2010, ela inicialmente listará esse valor na planilha Saúde Teu. Porém, a empresa reportará um valor menor em cada ano futuro até que o maquinário não tenha mais valor.
A principal diferença entre depreciação e redução ao valor recuperável é que a depreciação é esperada, enquanto a redução ao valor recuperável é inesperada.
Imparidade e Operações
Não é incomum que as empresas aleguem grandes prejuízos, embora ainda afirmem legitimamente que estão indo bem no geral.
Isto pode parecer contra-intuitivo – como pode uma empresa afirmar que está a prosperar quando também declara uma grande perda de valor de uma unidade de negócios?
Este fenómeno decorre do facto de as amortizações de activos depreciados serem separadas do desempenho operacional. Uma empresa pode relatar aumentos nas receitas e nos lucros e, ao mesmo tempo, anotar a perda de valor de uma unidade de negócios.
Em 2002, quando a AOL Time Warner relatou um prejuízo de US$ 45 bilhões no quarto trimestre, também informou que a receita aumentou de US$ 10,6 bilhões para US$ 11,4 bilhões.
As amortizações por imparidade são frequentemente referidas como “cobranças únicas”. Quando uma empresa reporta lucros trimestrais e anuais, ela pode citar o lucro ou prejuízo líquido “menos encargos únicos”. A teoria aqui é que, uma vez amortizada, uma imparidade já não terá impacto nos lucros da empresa no futuro. Assim, os executivos da empresa argumentarão que os potenciais investidores devem analisar o desempenho da empresa menos os encargos únicos para determinar a verdadeira saúde de uma empresa.
Se você é um investidor e leu sobre uma empresa que assumiu uma cobrança importante devido a um ativo depreciado, aprofunde-se um pouco mais no balanço patrimonial da empresa. Você poderá perceber que a empresa ainda está aumentando as receitas, expandindo as linhas de produtos e aumentando sua margem de lucro. Ao concentrar-se nas operações diárias da empresa e prestar menos atenção às cobranças únicas de imparidade, poderá descobrir que a empresa está, na verdade, subvalorizada com base no preço das suas ações.
Os investidores devem ainda tomar nota destes encargos importantes e estar cientes da frequência com que uma empresa contabiliza grandes imparidades no seu balanço. Muitas deficiências podem significar que a empresa fez uma série de aquisições ruins que podem continuar a impactar os resultados dos negócios.
