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Demência, um grupo diversificado de distúrbios, pode ter um impacto profundo na memória, nas habilidades de raciocínio e nas habilidades de comunicação de uma pessoa. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), o termo demência serve como um termo genérico que abrange condições que afetam a memória, o pensamento e a tomada de decisões.(1)À medida que a demência progride, os indivíduos podem achar cada vez mais difícil envolver-se socialmente e comunicar de forma eficaz, prejudicando as suas relações, especialmente com os cuidadores.
No entanto, agora, um estudo recente publicado na revistaDoença de Alzheimere Transtornos Associados lança luz sobre uma intervenção promissora: uma forma específica demusicoterapia.(2)Esta abordagem inovadora não só aumenta o envolvimento social dos indivíduos com demência, mas também alivia o sofrimento vivido pelos seus cuidadores. Continue lendo para descobrir mais enquanto desvendamos o potencial da música no tratamento da demência.
O que exatamente é demência? – Um breve perfil
A demência é um conjunto complexo de distúrbios caracterizados por um declínio nas funções cognitivas, como memória, raciocínio e comunicação. É um termo genérico que abrange várias condições que afetam a memória, o pensamento e a tomada de decisões. À medida que a demência progride, os pacientes podem ter dificuldades no envolvimento social e na comunicação, o que pode prejudicar as suas relações, especialmente com os cuidadores.(3,4)
Estudos recentes exploraram intervenções inovadoras como a musicoterapia, mostrando resultados promissores na melhoria do envolvimento social de indivíduos com demência e na redução do sofrimento dos cuidadores.(5)
O poder da musicoterapia no tratamento da demência – o que a pesquisa mostra?
No domínio do tratamento da demência, tanto os medicamentos como os ajustes no estilo de vida desempenham papéis cruciais no tratamento dos sintomas. No entanto, pesquisas recentes destacaram as intervenções não farmacológicas, especialmente a musicoterapia, como sendo um caminho promissor para beneficiar indivíduos com demência.
A musicoterapia aproveita a profunda conexão entre experiências sensoriais e memórias. Mesmo nos casos em que as funções cognitivas estão prejudicadas, os indivíduos com demência mantêm frequentemente associações profundas com a música. A premissa do estudo publicado na Alzheimer Disease and Associated Disorders era que tocar uma peça musical com significado pessoal pode desencadear uma enxurrada de memórias em indivíduos com demência.(2)
O estudo ressaltou a importância de usar música desde os anos de formação de uma pessoa, abrangendo aproximadamente sete anos até meados dos 20 anos. Essas músicas são normalmente armazenadas com segurança nos recônditos da memória, que parecem ser aparentemente resistentes aos efeitos desgastantes da demência. Na verdade, a equipe de pesquisa até enfatizou casos em que, mesmo diante do não reconhecimento de um cônjuge há muitas décadas, a música de uma canção de casamento reacendeu o reconhecimento, levando a uma dança sincera entre os parceiros.
Esta visão sobre o profundo impacto da musicoterapia lança luz sobre o seu potencial como intervenção não farmacológica, oferecendo um caminho único para melhorar a vida das pessoas com demência e promover ligações com os seus entes queridos.
Construindo uma abordagem personalizada para a cura da demência
Este estudo recente explorou os benefícios potenciais da musicoterapia tanto para indivíduos com demência quanto para seus cuidadores dedicados. O estudo, realizado em instalações de cuidados de memória, procurou compreender os efeitos profundos de uma intervenção de 12 semanas conhecida como “pontes musicais para a memória” (MBM).(6,7)
O sucesso do estudo dependeu do reconhecimento da importância das preferências musicais pessoais. Segundo os pesquisadores, a música preferida do paciente tem o maior impacto, considerando a natureza subjetiva das experiências musicais. O que uma pessoa acha calmante, outra pode achar revigorante, com base nas memórias únicas ligadas à música.
A intervenção MBM abrangeu vários elementos, incluindo treinamento de cuidadores, concertos ao vivo de 45 minutos e sessões interativas após as apresentações. Os musicoterapeutas incentivaram ativamente o envolvimento durante os concertos e facilitaram as discussões de acompanhamento. Avaliações subsequentes incorporaram até mesmo um questionário de sintomas neuropsiquiátricos, avaliando comportamentos e obtendo feedback dos cuidadores.
O que é digno de nota é que os resultados do grupo de intervenção foram bastante promissores. Os participantes com demência apresentaram melhores comportamentos sociáveis não-verbais, tais como maior contacto visual, maior interesse, atenção concentrada e uma sensação geral de calma quando comparados com o grupo de controlo.
Os cuidadores também relataram níveis reduzidos de estresse em relação aos sintomas dos seus entes queridos. A equipa de investigação destacou como o programa facilitou ligações mais profundas e aumentou a qualidade geral das suas relações com as pessoas sob os seus cuidados.(8)
Os autores do estudo enfatizaram a importância das suas descobertas, observando que a música tem o potencial de aumentar o envolvimento social entre indivíduos com demência e os seus entes queridos, ao mesmo tempo que reduz os níveis de stress nos cuidadores.
Como a musicoterapia ajuda na demência?
A musicoterapia oferece uma abordagem multifacetada para apoiar indivíduos com demência. Através do poder da música, esta intervenção terapêutica oferece um canal único de expressão emocional, mesmo quando a comunicação verbal se torna desafiadora. Canções familiares do passado têm a notável capacidade de despertar memórias, promovendo uma sensação de conexão e conforto. Aqui estão alguns outros benefícios que a musicoterapia oferece para pessoas com demência:(9,10)
- Expressão Emocional:A música proporciona um meio de expressão emocional, permitindo que os indivíduos com demência comuniquem e transmitam os seus sentimentos mesmo quando a comunicação verbal se torna desafiadora.
- Humor melhorado:O envolvimento com a música pode desencadear a liberação de neurotransmissores como a dopamina, que estão associados ao prazer e à recompensa. Isso pode levar à melhora do humor, redução da ansiedade e uma sensação geral de bem-estar.
- Função cognitiva aprimorada:A musicoterapia pode estimular funções cognitivas, como atenção, memória e habilidades de resolução de problemas. O envolvimento com a música ativa várias regiões do cérebro, promovendo o envolvimento cognitivo.(11)
- Agitação e agressão reduzidas:Foi demonstrado que a musicoterapia diminui os casos de agitação e agressão em indivíduos com demência. Música calmante ou playlists personalizadas podem ter um efeito calmante.
- Promove a interação social:As sessões de musicoterapia em grupo incentivam a socialização e a interação entre os participantes. Ele fornece uma atividade compartilhada que pode promover conexões e um senso de comunidade.
- Melhor qualidade de vida:O envolvimento na musicoterapia pode levar a uma melhoria geral na qualidade de vida do indivíduo. Ele fornece uma fonte de alegria, conforto e envolvimento significativo.(12)
- Redução do estresse para cuidadores:A musicoterapia não só beneficia os indivíduos com demência, mas também proporciona uma fonte de descanso e alívio para os cuidadores. Oferece uma atividade positiva e agradável para compartilhar com seus entes queridos.
- Intervenção Não Farmacológica:A musicoterapia oferece uma abordagem não farmacológica para o manejo dos sintomas, reduzindo a dependência de medicamentos e seus potenciais efeitos colaterais.
No geral, a musicoterapia é uma ferramenta poderosa no tratamento da demência, oferecendo uma gama de benefícios emocionais, cognitivos e sociais tanto para os indivíduos com demência como para os seus cuidadores.
Explorando o escopo adicional da musicoterapia para tratamento de demência em meio às limitações do estudo
Embora o estudo tenha demonstrado com sucesso o impacto positivo da intervenção musical tanto nos indivíduos com demência como nos seus cuidadores, é importante reconhecer que o estudo também teve certas limitações, incluindo:
- Incapacidade de implementar cegamento e randomização:Devido à natureza da intervenção, o cegamento e a randomização não foram viáveis. No entanto, a inclusão de um grupo de controle, mesmo que limitado a uma unidade de cuidados de memória, forneceu informações valiosas para a avaliação dos resultados.
- Duração do estudo de curto prazo:A duração do estudo foi limitada a 12 semanas, impedindo uma avaliação dos efeitos a longo prazo da intervenção. Pode ser necessária uma investigação alargada para compreender plenamente os benefícios duradouros.
- Tamanho de amostra relativamente pequeno:O tamanho da amostra foi modesto, justificando a necessidade de dados mais extensos antes de fazer generalizações mais amplas.
- Escalas de Avaliação Específicas:Pesquisas futuras podem se beneficiar da utilização de escalas de avaliação adaptadas especificamente para a intervenção “pontes musicais para a memória”.
- Níveis básicos de comportamentos insociáveis:Os participantes com demência não apresentavam níveis elevados de comportamentos insociáveis, como agressão, no início do estudo.
- Avaliação da demência baseada na causa:O estudo não avaliou o sucesso da intervenção com base na causa subjacente da demência dos participantes.
Muitos especialistas expressaram otimismo em relação aos resultados do estudo e também em relação à exploração contínua deste campo.
Outras intervenções não farmacológicas que podem ajudar na demência
Existem muitas outras intervenções não farmacológicas que podem ser benéficas para indivíduos com demência. Estes incluem:
- Estimulação Cognitiva:Atividades envolventes que estimulam funções cognitivas, como quebra-cabeças, jogos e terapia de reminiscência, podem ajudar a manter a agilidade mental e proporcionar uma sensação de realização.(13)
- Exercício físico:A atividade física regular pode melhorar o bem-estar geral, o equilíbrio e a mobilidade. Também contribui para um sono melhor e redução de problemas comportamentais.
- Terapia de Arte e Criatividade:O envolvimento em atividades artísticas como pintura, desenho ou artesanato pode fornecer um meio de autoexpressão e promover um senso de propósito.
- Estimulação Sensorial:A utilização de vários estímulos sensoriais, como aromaterapia, objetos táteis ou sons suaves, pode ajudar os indivíduos com demência a se conectarem com o ambiente e a melhorarem suas experiências sensoriais.
- Terapia de Orientação para a Realidade:Essa técnica envolve o fornecimento de informações estruturadas sobre tempo, lugar e pessoa para ajudar os indivíduos a manter um senso claro da realidade e reduzir a desorientação.(14)
- Terapia de validação:Esta abordagem centra-se na comunicação empática e no reconhecimento das emoções da pessoa, mesmo que as suas declarações ou memórias possam não estar alinhadas com a realidade.(15)
- Terapia para animais de estimação:Interagir com animais, como cães de terapia, pode proporcionar conforto, reduzir a ansiedade e promover o envolvimento social.
É importante notar que a eficácia destes métodos não farmacológicos pode variar de pessoa para pessoa, e é fundamental uma abordagem personalizada, adaptada às preferências e necessidades do indivíduo. Além disso, estas intervenções não farmacológicas são frequentemente mais eficazes quando utilizadas em conjunto com um plano abrangente de cuidados de demência.
Conclusão
Descobrir o potencial da música para ajudar as pessoas com demência foi verdadeiramente esclarecedor. É como encontrar uma chave especial que abre muitos sentimentos e memórias positivas. Isto não é bom apenas para a pessoa com demência, mas também para as pessoas que cuidam dela. À medida que aprendemos mais e desenvolvemos novas formas, como “pontes musicais para a memória”, é possível que a musicoterapia se torne uma parte central da forma como cuidamos das pessoas com demência. A música tem um poder único de tocar os nossos corações e, na jornada da demência, pode trazer mais alegria e conexões significativas.
Referências:
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