O enjôo matinal é um bom sinal?

Quandonáuseae o vômito ocorre durante a gravidez, é denominado enjôo matinal. Porém, não faz justiça ao seu nome, pois além da manhã, pode acontecer a qualquer hora do dia. O enjôo matinal é um sintoma muito comum vivenciado por mulheres grávidas, encontrado em cerca de 80% das mulheres. Mulheres com menos de 25 anos têm maior probabilidade de ter enjôos matinais do que mulheres mais velhas. É visto principalmente por volta do primeiro trimestre e início do segundo trimestre da gravidez; entretanto, em algumas mulheres pode existir durante toda a gravidez, até o parto. Náuseas e vômitos podem variar de leves a graves; a forma grave conhecida comoHiperêmese gravídica. Na hiperêmese gravídica, o vômito pode ser tão grave que a paciente pode precisar ser hospitalizada. Também pode levar ao desequilíbrio no perfil eletrolítico, perda de peso e desnutrição que pode ter efeitos adversos tanto para a mãe quanto para o feto.

O enjôo matinal é um bom sinal?

Náuseaevômitoé sempre angustiante, seja a qualquer momento, grávida ou não. Por mais angustiante que seja, pode ser observado em 4 em cada 5 mulheres grávidas. Isso fez com que todos se perguntassem, até mesmo médicos e pesquisadores, se esse sentimento angustiante poderia ser um bom sinal de uma gravidez viável. Há muito tempo que o folclore diz que o enjôo matinal é um bom sinal; no entanto, nunca foi apoiado pela ciência. Nas últimas décadas, a pesquisa e a ciência validaram essa crença de que os enjôos matinais podem, na verdade, ser um bom sinal.

A associação de náuseas e vómitos durante a gravidez à redução do risco de aborto espontâneo foi apoiada por provas muito fortes validadas por pesquisas. Foi demonstrado que náuseas e vômitos têm efeito protetor no feto em desenvolvimento. Isso tem sido associado ao hormônio gonadotrofina coriônica humana e também ao efeito evolutivo que leva a uma dieta saudável e de baixo risco para o feto.

É importante notar que é importante não desanimar se não sentir náuseas e vômitos. Não ter enjoos matinais não significa interrupção da gravidez ouaborto espontâneo.

O enjôo matinal também pode estar relacionado à infecção do trato urinário. As mulheres grávidas devem ter cuidado com náuseas e vômitos intensos que podem deixá-las desnutridas e com perda de eletrólitos no corpo. O enjôo matinal deve ser considerado uma coisa da gravidez e simplesmente esquecido. Deve ser prevenida, especialmente se causada por hiperêmese gravídica ou outra causa, como ITU, e o tratamento deve ser fornecido nesses casos para evitar qualquer risco para a mãe ou para o bebê em desenvolvimento.

Mesmo depois de todos esses anos de avanço técnico e científico, ainda falta consenso e provas validadas sobre a causa exata dos enjôos matinais. Uma dessas hipóteses mostra que as náuseas e os vômitos são hereditários e de origem familiar, sejam náuseas e vômitos leves ou uma forma mais grave de náuseas e vômitos, ou seja, hiperêmese gravídica. Outra hipótese sugere que o aumento dos níveis de hCG (gonadotrofina coriônica humana) seja a causa das náuseas evômito durante a gravidez. Isso se baseia na observação de níveis elevados de hCG coincidindo com náuseas e vômitos e no alívio dos níveis do hormônio com resolução de náuseas e vômitos em mulheres grávidas, o que ocorre no início do segundo trimestre ou no final do primeiro trimestre.

Estudos e pesquisas recentes relacionaram náuseas e vômitos a vários genes e à presença de uma proteína GDF15 que é produzida em grandes quantidades pela placenta no início da gravidez. Esta proteína está ligada ao centro alimentar e ao centro do vômito no tronco cerebral, levando à redução da ingestão de alimentos e ao aumento da sensação de náusea e vômito. A proteína GDF15 foi encontrada em maiores concentrações em mulheres grávidas com náuseas e vômitos.

Outra hipótese conecta-o ao mecanismo evolutivo, protegendo o feto em desenvolvimento de quaisquer toxinas ou patógenos através dos alimentos ingeridos pela mãe durante o nascimento.primeiro trimestre, que é a fase mais importante do desenvolvimento do órgão.

Referências:

  1. Fejzo, MS, Ingles, SA, Wilson, M., Wang, W., MacGibbon, K., Romero, R.,… & Mullin, PM (2018). Alta prevalência de náuseas e vômitos graves durante a gravidez e hiperêmese gravídica entre parentes de indivíduos afetados. Jornal Europeu de Obstetrícia e Ginecologia e Biologia Reprodutiva, 221, 153-157.
  2. Gazmararian, JA, Petersen, R., Jamieson, DJ, Schild, L., Adams, MM, Deshpande, AD, & Franks, AL (2002). Hospitalizações durante a gravidez entre inscritos em cuidados gerenciados. Obstetrícia e Ginecologia, 100(1), 94-100.
  3. Klonoff-Cohen, H. e Lam-Kruglick, P. (2001). Uso recreativo de drogas materno e paterno e síndrome da morte súbita infantil. Arquivos de pediatria e medicina do adolescente, 155(7), 765-770.
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