Os proprietários de casas em dificuldades financeiras no meio da pandemia enfrentam atrasos, recusas e falta de comunicação por parte das instituições financeiras, de acordo com um novo relatório do Consumer Financial Protection Bureau (CFPB).
Os consumidores apresentaram mais reclamações relacionadas com hipotecas em Março deste ano do que em qualquer mês desde Abril de 2018, de acordo com o CFPB, a agência governamental que aplica as leis financeiras do consumidor. De facto, o número de reclamações que mencionam tolerância e termos relacionados atingiu a sua média mensal mais elevada desde Março e Abril do ano passado, afirmou o CFPB.
Quando a pandemia atingiu, o governo, bem como os credores privados, criaram programas de tolerância que permitiram aos proprietários ignorar o pagamento da hipoteca caso estivessem em dificuldades financeiras. Por exemplo, os proprietários cujos empréstimos são garantidos pela Fannie Mae e Freddie Mac – cerca de 70% de todos os proprietários de casas nos EUA – tiveram a opção de entrar na tolerância e permanecer lá por até 18 meses, acrescentando os pagamentos ignorados ao final dos seus empréstimos.
Isso se soma à proibição de execução hipotecária que entrará em vigor até junho. O CFPB propôs regulamentos destinados a evitar uma onda de execuções hipotecárias assim que essas proteções expirarem. Mas o relatório da agência sugere que os consumidores enfrentam por vezes dificuldades em tirar partido destas proteções.
Os clientes queixaram-se frequentemente de que os gestores de hipotecas – as empresas que gerem as hipotecas e enviam extratos – não explicavam claramente as opções de alívio disponíveis quando a tolerância terminava. Outros disseram que sofreram atrasos ou obtiveram informações conflitantes ao discutir opções de modificação do empréstimo antes de serem negados. Outros ainda tiveram dificuldade em encontrar alguém com quem conversar, entre outras questões.
Uma análise do CFPB divulgada juntamente com o relatório sobre reclamações mostrou que as questões de tolerância afectam mais os proprietários de casas pertencentes a minorias do que os mutuários brancos, com uma percentagem maior de proprietários de casas negros e hispânicos em situação de tolerância.
Entre os proprietários negros, 9,2% estão em tolerância, em comparação com 3,7% dos seus homólogos brancos, de acordo com uma análise do CFPB de dados hipotecários divulgada na terça-feira. O relatório, baseado numa amostra de dados nacionais de março, mostrou que 4,7% dos empréstimos à habitação em geral permaneceram em regime de diferimento.
“Mais mutuários estão atrasados em suas hipotecas do que em qualquer outro momento desde o auge da Grande Recessão”, disse o diretor interino do CFPB, Dave Uejio, em um comunicado. “As comunidades negras foram duramente atingidas pela pandemia e os dados mais recentes mostram que muitos mutuários ainda estão em dificuldades.”
