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Introdução
Experimentar uma sensação repentina e aguda, semelhante a um choque elétrico, que percorre seu pescoço, coluna e membros pode ser um evento assustador e confuso. Para muitos, este sintoma único é um mistério. Mas esta sensação tem um nome, sinal de Lhermitte, e é um indicador clássico de que algo está irritando ou danificando os delicados nervos do sistema nervoso central.
Embora o sinal de Lhermitte seja mais notoriamente associado a uma doença neurológica grave como a esclerose múltipla (EM), também pode ser um sintoma de uma série de outras condições, algumas das quais são muito mais benignas.2No entanto, nunca deve ser descartado. A presença deste sintoma é um sinal claro de que é necessária uma avaliação médica completa.
Este guia explicará o mecanismo subjacente do sinal de Lhermitte, detalhará suas várias causas, de benignas a graves, e descreverá as etapas que você deve seguir caso o experimente.
O que é o sinal de Lhermitte?
O sinal de Lhermitte é um sintoma subjetivo, ou seja, é uma sensação que a pessoa sente e relata.3É uma sensação súbita, breve e intensa, semelhante a um choque elétrico, que se origina no pescoço e desce pela coluna e, muitas vezes, pelos braços, pernas ou tronco.4A principal característica do sinal de Lhermitte é que ele é desencadeado por um movimento específico: flexionar ou inclinar o pescoço e a cabeça para frente.[1] Às vezes, também pode ser desencadeado por tosse, espirro ou bocejo.6
A sensação é frequentemente descrita como uma descarga elétrica, às vezes acompanhada de formigamento, dormência ou sensação de zumbido.7É um sintoma paroxístico, o que significa que surge repentinamente e dura apenas um momento, mas pode ser uma experiência muito angustiante e desconfortável.8
Por que isso acontece?
A causa subjacente do sinal de Lhermitte é o dano à bainha de mielina, a cobertura gordurosa protetora que isola as fibras nervosas da medula espinhal. A bainha de mielina atua como o isolamento plástico de um fio elétrico, permitindo uma transmissão rápida e eficiente dos sinais nervosos.9
Quando a mielina é danificada, o nervo fica exposto. Esse dano pode fazer com que o nervo se torne excessivamente sensível ao movimento. Quando o pescoço é flexionado para frente, a medula espinhal e seus nervos são alongados. Esse alongamento pode irritar o nervo desmielinizado exposto, causando um “curto-circuito” ou enviando um sinal elétrico anormal. O cérebro interpreta este sinal anormal como a sensação de choque elétrico do sinal de Lhermitte.[2]10
As causas do sinal de Lhermitte
Embora o sinal de Lhermitte seja um sintoma clássico de desmielinização, a causa dessa desmielinização pode variar muito em gravidade.
Categoria 1: Esclerose Múltipla (EM)
O sinal de Lhermitte é considerado um dos sintomas mais clássicos e conhecidos da Esclerose Múltipla (EM).11A EM é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico do corpo ataca e danifica erroneamente a bainha de mielina no cérebro e na medula espinhal.12
- A ligação:Uma pessoa com EM pode apresentar o sinal de Lhermitte durante um surto da doença, indicando uma área nova ou ativa de inflamação e desmielinização na medula espinhal. Também pode ser um sintoma persistente em pessoas com lesão crônica da medula espinhal.[3] A presença do sinal de Lhermitte costuma ser um dos primeiros indícios de que uma pessoa tem uma doença desmielinizante subjacente.
Categoria 2: Outras Condições Neurológicas
Embora a EM seja a causa grave mais comum, outras condições neurológicas também podem danificar a medula espinhal e levar ao sinal de Lhermitte.13
- Compressão da Medula Espinhal:Qualquer coisa que exerça pressão física sobre a medula espinhal pode irritar os nervos e desencadear o sintoma.14Isso pode incluir:
- Hérnia de Disco Cervical:Uma hérnia de disco no pescoço pode comprimir a medula espinhal.15
- Tumor:Tumor benigno ou maligno que cresce perto da medula espinhal.16
- Estenose espinhal:Um estreitamento do canal espinhal que pressiona os nervos[4].17
- Mielopatia por radiação:Este é um efeito colateral raro que pode ocorrer meses ou anos após uma pessoa ter recebido radioterapia no pescoço ou na parte superior das costas, causando danos retardados à mielina da medula espinhal.18
- Mielite Transversa:Condição inflamatória que danifica a bainha de mielina da medula espinhal.19Pode ocorrer como um evento único ou como sintoma de um processo de doença maior.20
Categoria 3: Causas Mais Benignas
Em alguns casos, o sinal de Lhermitte pode ser causado por condições com menor probabilidade de serem um sinal de doença neurológica progressiva.
- Deficiência de vitamina B12:Uma deficiência grave de vitamina B12 pode danificar a bainha de mielina dos nervos, levando a uma variedade de sintomas neurológicos, incluindo o sinal de Lhermitte.[5]21Esta é uma condição tratável.
- Espondilose Cervical:Alterações degenerativas na coluna cervical, como esporões ósseos ou alterações discais, podem irritar a medula espinhal e as raízes nervosas, levando a um sinal de Lhermitte temporário ou intermitente.
- Trauma:Uma lesão anterior no pescoço pode causar inchaço ou inflamação temporária que irrita os nervos e desencadeia o sintoma, mas o sintoma geralmente desaparece à medida que o inchaço diminui.
O que fazer sobre isso
Se você tiver o sinal de Lhermitte, é uma indicação clara de que é necessária uma avaliação médica profissional. A chave é obter um diagnóstico preciso para determinar a causa subjacente.
- Consulte um Neurologista:Não descarte esse sintoma. É um sinal de problema neurológico e deve ser avaliado por um neurologista.
- Avaliação diagnóstica:Seu neurologista provavelmente solicitará uma série de testes para chegar à raiz do problema:
- Ressonância magnética do cérebro e da coluna:Este é o teste mais importante. Uma ressonância magnética pode detectar lesões desmielinizantes (EM), compressão da medula espinhal ou outras anormalidades estruturais.[6]
- Exame Físico e Neurológico:Seu médico testará seus reflexos, força e sensação para procurar outros sinais de disfunção neurológica.
- Exames de sangue:Esses testes podem descartar causas como deficiência de vitamina B12 ou outros marcadores inflamatórios.23
