Como as finanças comportamentais podem ajudá-lo a investir com sabedoria

Se você já comprou ou vendeu ações, há uma chance de que você tenha feito isso com base em sentimentos e emoções, em vez de fatos frios e concretos.

Você pode pensar que negocia com base em informações objetivas enquanto permanece focado em suas metas de investimento. Mas você é humano. Você compra uma ação porque viu um comentarista falar sobre ela na TV. Você vende uma ação porque ela perdeu algum valor e você fica assustado. Você pode até comprar ou vender ações simplesmente porque é bom movimentar dinheiro.

Mesmo que não tenha negociado com base nos seus sentimentos, pode ter havido outras ocasiões em que não fez a melhor escolha de investimento devido à falta de informação. As finanças comportamentais são um novo campo de estudo que analisa como e por que essas coisas acontecem. Analisa a psicologia e a emoção e procura explicar porque é que os mercados nem sempre sobem ou descem da forma que esperamos.

Observação

Sempre que você toma uma decisão com base em experiências e preferências pessoais, mesmo quando se trata de dinheiro, você demonstra um viés cognitivo.

Finanças Convencionais ou Tradicionais

As pessoas estudam negócios e finanças há anos. Como resultado, existem muitas teorias e modelos que utilizam dados objetivos para prever como os mercados responderão em determinados contextos. O modelo de precificação de ativos de capital, a hipótese de mercado eficiente e outros têm um histórico bastante bom de previsão dos mercados. Mas estes modelos assumem algumas coisas improváveis ​​sobre os investidores, tais como:

  • Eles sempre têm dados completos e verdadeiros para ajudá-los a fazer escolhas. 
  • Eles podem lidar com uma certa quantidade de risco, e o risco com que podem lidar não muda. ​
  • Eles sempre procurarão ganhar mais dinheiro com o maior valor.​
  • Eles sempre farão as escolhas mais racionais.

Como resultado destas suposições erradas, os modelos financeiros normais não têm um historial perfeito. De facto, ao longo do tempo, académicos e especialistas em finanças começaram a notar alguns desvios das suas previsões que os seus modelos não conseguiam explicar.

Coisas estranhas

Se os investidores agirem racionalmente, há certos eventos que não deveriam acontecer, mas acontecem. Por exemplo, existem alguns dados que mostram que as ações terão retornos maiores nos últimos dias e nos primeiros dias do mês.Há também o fato de que as ações costumam apresentar retornos mais baixos às segundas-feiras.

Não há razão racional para que essas coisas aconteçam, mas podem ser explicadas pelo comportamento humano. Outro evento, o “efeito Janeiro”, sugere que muitas ações apresentam um desempenho melhor do que o normal durante o primeiro mês do ano. Não existe um modelo convencional que preveja isto, mas estudos mostram que as ações sobem em janeiro porque as pessoas as venderam antes do final do ano por razões fiscais.

Procurando explicações

A psicologia humana é complexa. Além do mais, é difícil prever cada movimento estranho que os investidores possam tomar. Ainda assim, aqueles que estudaram finanças comportamentais concluíram que há uma série de processos de pensamento que nos levam a fazer escolhas de investimento estranhas. Abaixo estão algumas maneiras possíveis de explicar essas escolhas.

Viés de atenção

Há evidências que sugerem que as pessoas investirão em empresas que são notícia, mesmo que empresas menos conhecidas ofereçam a promessa de melhores retornos.Muitas pessoas compraram ações da Apple ou da Amazon simplesmente porque sabemos tudo sobre elas.

Viés nacional

Um americano investirá em empresas norte-americanas, mesmo que as ações de empresas estrangeiras ofereçam melhores retornos. ​

Subdiversificação

Há um impulso para que as pessoas se sintam mais confortáveis ​​mantendo um número relativamente pequeno de ações na sua carteira, mesmo que uma diversificação mais ampla lhes traga mais dinheiro.

Arrogância

As pessoas querem pensar que são boas no que fazem. Não é provável que mudem as estratégias de investimento, porque realmente pensam que sabem o que é melhor quando se trata do seu dinheiro. Da mesma forma, quando as coisas vão bem, é provável que recebam o crédito pelas suas proezas financeiras, quando na verdade os seus bons resultados provêm de factores externos ou de pura sorte.

Como isso pode ajudá-lo

Se você quiser se tornar um investidor melhor, precisará se tornar menos humano ao escolher onde colocar seu dinheiro. Isso parece duro, mas será benéfico para você avaliar seus próprios preconceitos e saber onde seu pensamento defeituoso o prejudicou no passado.

Você deveria se perguntar perguntas difíceis como: “Eu sempre acho que estou certo?” ou “Recebo o crédito pelas vitórias nos investimentos e culpo fatores externos pelas minhas perdas?” Pergunte a si mesmo: “Já vendi ações com raiva ou comprei ações com base em um simples pressentimento?”

Em primeiro lugar, você deve se perguntar se possui todos os dados necessários para fazer as escolhas de investimento corretas. Não é fácil saber tudo sobre uma ação antes de comprá-la ou vendê-la. Ainda assim, uma boa pesquisa o ajudará a garantir que você está investindo com base na lógica e nos fatos, e não em seus próprios preconceitos ou sentimentos.

Considere um Robo-Conselheiro

Uma das últimas tendências em investimentos é a utilização de robo-consultores, nos quais uma empresa gerencia seus investimentos com pouquíssima intervenção humana. Em vez disso, o dinheiro é gerenciado por meio de dados matemáticos e algoritmos. Algumas das principais corretoras de descontos, incluindo Vanguard, E-Trade e Charles Schwab, oferecem serviços de consultoria robótica. Existem várias empresas mais recentes, incluindo Betterment e Personal Capital, que também oferecem este serviço.

O júri ainda não decidiu se os robo-consultores oferecem retornos melhores do que a média, mas, em teoria, usar um robo-consultor aumentará suas chances de fazer escolhas de investimento ideais e racionais. À medida que mais investidores recorrem a esta abordagem automatizada, poderemos ver os modelos financeiros tornarem-se mais precisos, uma vez que o comportamento humano desempenha um papel menos importante no desempenho dos mercados.