Como a doença gengival pode levar ao Alzheimer?

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Doença gengival e Alzheimer: existe uma ligação?

Um estudo recente fez uma revelação surpreendente sobre a relação da periodontite ou doença gengival com o aumento do risco da doença de Alzheimer. O estudo encorajou dentistas e periodontistas a cuidar melhor de seus dentes e gengivas para evitar qualquer crescimento bacteriano. Este estudo publicado na Science Advances fala sobre uma ligação entre uma bactéria P. gingivalis observada na maioria dos casos de periodontite eDoença de Alzheimer. Isso veio à tona quando foram observadas cepas significativas dessa bactéria no líquido espinhal, tecido cerebral e amostras de saliva de pacientes com Alzheimer.[1].

A enzima secretada por esta bactéria chamada Gingipains foi encontrada no tecido cerebral de mais de 95% das pessoas com doença de Alzheimer. Além disso, o estudo também mostrou que esta bactéria aumentou a produção de placas amilóides cujo acúmulo está associado à doença de Alzheimer. O estudo testou animais com periodontite e explicou como a bactéria viajou da boca até o cérebro e começou a destruir as células cerebrais[1].

Estas descobertas do estudo são importantes porque formam uma associação clara entre doenças gengivais e aumento do risco de doença de Alzheimer. Este artigo explica em detalhes como a doença gengival leva à doença de Alzheimer[1].

Como a doença gengival pode levar ao Alzheimer?

A doença gengival, clinicamente referida como periodontite, é um problema comum que muitas pessoas enfrentam. Tem sido associada não apenas à perda de dentes, mas também ao aumento do risco de câncer. Agora, novos estudos também associaram esta condição à doença de Alzheimer. Os estudos relacionaram a doença gengival ao acúmulo de proteínas tóxicas no cérebro, o que contribui para o desenvolvimento da doença de Alzheimer. Estas descobertas baseiam-se em testes realizados em modelos de ratos realizados por uma empresa farmacêutica que está a investigar novos medicamentos potenciais para a doença de Alzheimer.[2].

Todos os resultados dos estudos realizados até agora sobre este tema foram publicados na Science Advances. O cientista principal deste estudo explica ainda que muitos agentes infecciosos foram associados à progressão e ao desenvolvimento da doença de Alzheimer, mas nenhum factor causal convincente foi identificado até este último desenvolvimento.

Após extensa pesquisa, os cientistas identificaram P. Gingivalis como a bactéria, que é a principal causa da doença gengival, como um dos agentes que aumentou significativamente o risco da doença de Alzheimer.[2].

Observou-se que esta bactéria estava presente no cérebro de muitos pacientes com diagnóstico de doença de Alzheimer. Pesquisa feita em modelo de camundongo revelou que a infecção causada por P. Gingivalis causou aumento na produção de beta amilóide no cérebro. O acúmulo de beta amilóide no cérebro leva ao desenvolvimento da doença de Alzheimer. Isto ocorre porque quando a beta-amilóide se acumula no cérebro forma placas que perturbam a comunicação normal entre as células cerebrais, levando à sua destruição.[2].

Sabe-se que as enzimas tóxicas presentes em P. Gingivalis, nomeadamente Gingipains, juntamente com tau e ubiquitina, estão associadas ao desenvolvimento e progressão da doença de Alzheimer. Assim que a Gingipains foi identificada como alvo, os cientistas começaram a procurar terapias que girassem em torno da supressão dos efeitos desta enzima tóxica. Eles acabaram com um composto chamado COR388, que foi considerado mais eficaz na supressão dos efeitos das dores de gengivite.[2].

Este composto também foi bastante eficaz na redução da presença das bactérias agressoras e na redução da inflamação. Descobriu-se também que o COR388 reduz o acúmulo de beta-amilóide no cérebro e até protege as células cerebrais do hipocampo contra danos. Os cientistas opinam que, pela primeira vez, têm evidências substanciais que ligam as bactérias à doença de Alzheimer e agora têm o potencial de alterar a progressão da doença.[2].

No entanto, apesar dos melhores esforços envidados na investigação, o progresso tem sido bastante lento. Este estudo publicado na Science Advances lançou alguma luz sobre a ligação entre uma bactéria que causa doenças gengivais e Alzheimer com uma estratégia de tratamento otimista através do COR388. Este composto já está em teste e mostrou-se promissor em pessoas com doença de Alzheimer[2].

Esforços estão sendo feitos para realizar um ensaio muito maior deste composto para observar sua eficácia durante um longo período de tempo no tratamento da doença de Alzheimer causada por bactérias que causam periodontite.[2].

Em conclusão, as pesquisas mais recentes apontaram claramente para uma ligação entre doenças gengivais e aumento do risco de Alzheimer. P. Gingivalis é a bactéria agressora que causa doenças gengivais. Esta bactéria possui enzimas tóxicas que aumentam a produção de beta amiloide que formam placas no cérebro, interrompendo a comunicação entre as células cerebrais e, por fim, destruindo-as.[2].

Após extensa pesquisa, os cientistas se concentraram na bactéria P. Gingivalis e criaram um composto chamado COR388. Este composto, quando testado em modelos de camundongos, mostrou-se promissor não apenas na diminuição da beta amiloide no cérebro, mas também na redução do número da bactéria agressora.[2].

Os testes em humanos já começaram e mostraram resultados positivos em pessoas que foram diagnosticadas com a doença de Alzheimer. Esforços estão sendo feitos para encorajar mais pesquisas sobre este tópico e encontrar outros fatores causais e melhores estratégias de tratamento para lidar com uma condição neurodegenerativa como a doença de Alzheimer.[2].

Referências: 

  1. https://www.perio.org/consumer/alzheimers-and-periodontal-disease
  2. https://www.medicalnewstoday.com/articles/324298.php

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