Cobertura cambial e fundos de títulos

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A cobertura cambial, no contexto dos fundos de obrigações, é a decisão de um gestor de carteira de reduzir ou eliminar a exposição de um fundo de obrigações ao movimento de moedas estrangeiras. Esta redução de risco é normalmente alcançada através da compra de contratos futuros ou opções que irão movimentar-se noopostodireção das moedas mantidas dentro do fundo.

Cobertura cambial explicada

A melhor maneira de entender o hedge cambial é observar um exemplo. Digamos que uma gestora de fundos queira investir US$ 1 milhão em dólares americanos para comprar títulos emitidos pelo governo canadense, mas ela tem uma perspectiva negativa em relação ao dólar canadense. O gestor da carteira pode comprar os títulos e proteger-se contra perdas, colocando uma “cobertura” contra a moeda canadiana, comprando um investimento que se mova na direção oposta ao dólar canadiano.

Se ela configurar seu hedge corretamente e se a moeda canadense cair 5%, o hedge ganha 5% e o efeito líquido é zero. Por outro lado, se a moeda subir 5%, o valor do hedge cairá 5%. De qualquer forma, o impacto das flutuações da moeda é neutralizado.

Esta estratégia é importante para controlar as flutuações cambiais e garantir que, mesmo um ano depois, os títulos do governo canadense permaneçam inalterados no preço, o que significa que não há ganho ou perda no valor da posição.

No entanto, se o valor do dólar canadiano cair 5%, o gestor da carteira verá o valor da posição de 1 milhão de dólares americanos cair para 950.000 dólares, embora o valor das próprias obrigações permaneça inalterado.

A razão para isso é que o gestor deve trocar dólares americanos por dólares canadenses para efetuar a compra. Ao fazer hedge, o gestor elimina o risco de ser prejudicado por movimentos cambiais desfavoráveis.

Cobertura cambial no trabalho

O hedge é normalmente empregado de duas maneiras. Primeiro, um gestor pode fazer hedge “de forma oportunista”. Este tipo de hedge significa que o gestor possuirá títulos estrangeiros em sua carteira, mas apenas cobrirá a posição quando as perspectivas para determinadas moedas forem desfavoráveis. Num exemplo simples, digamos que o gestor de carteira investiu 20% da sua carteira em cinco países: Alemanha, Reino Unido, Canadá, Japão e Austrália.

A gestora não tem opinião sobre a maioria das moedas subjacentes, mas tem uma visão extremamente negativa do iene japonês. O gestor pode optar por cobrir apenas a posição no Japão e manter a cobertura até ter uma visão mais favorável sobre o iene. Freqüentemente, você verá isso referido na literatura de fundos como hedge cambial “tático”.

A segunda forma de utilizar a cobertura é em fundos que são cobertos como parte do seu mandato. Normalmente, o termo “hedged” será usado até no nome do fundo. Nestes casos, todas as posições são protegidas por hedge, de forma que o fundo não tenha qualquer exposição cambial.

Como o hedge afeta os retornos dos fundos

A diferença pode realmente ser substancial no curto prazo. As moedas podem sofrer grandes movimentos em períodos relativamente curtos, pelo que podem existir lacunas substanciais entre o desempenho das carteiras cobertas e não cobertas num determinado trimestre ou ano civil.

No entanto, numa base de longo prazo, a diferença pode não ser grande, uma vez que as moedas dos mercados desenvolvidos não são o tipo de activo que proporciona valorização a longo prazo.

Fundos de títulos estrangeiros cobertos vs. não cobertos

Uma boa maneira de adquirir uma posição em títulos estrangeiros é comprar um ou mais fundos mútuos ou ETFs especializados em títulos estrangeiros de um ou mais países. Este método permite diversificar suas participações em títulos com um pequeno investimento.

Procure fundos ou ETFs com taxas de gestão baixas – vários estudos independentes de fundos e taxas determinaram que existe uma relação inversa entre taxas de fundos e desempenho – quanto mais elevadas as taxas de gestão, pior será o desempenho.

Teoricamente, um investidor pode escolher um fundo coberto ou não coberto com base nos movimentos cambiais recentes. Por exemplo, se o dólar tivesse tido um desempenho particularmente fraco no ano anterior (o que significa que seria mais provável que recuperasse no ano seguinte, o que equivale a uma perda no valor das moedas estrangeiras), um investidor poderá ver um melhor desempenho de uma carteira coberta.

Na prática, porém, prever os movimentos cambiais é quase impossível. Em vez disso, considere sua tolerância ao risco. As carteiras não cobertas normalmente apresentam maior volatilidade, enquanto as carteiras cobertas proporcionam resultados mais suaves. Para fundos que fazem hedge “de forma oportunista” ou “tática”, observe seu histórico. Se o fundo demonstrou um desempenho inferior consistente, é evidente que a sua abordagem não está a funcionar.