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Introdução
Fissuras anais crônicas podem causar dor debilitante e frustração. Quando tratamentos conservadores, como mudanças na dieta, banhos de assento ou cremes tópicos, falham, a cirurgia se torna o próximo passo. Mas entre a fissurectomia e a esfincterotomia, qual procedimento oferece melhores resultados, cicatrização mais rápida e menor recorrência? Este artigo analisa isso de forma clínica e prática, ajudando pacientes e profissionais de saúde a tomar decisões informadas.
Compreendendo as fissuras anais e a cronicidade
Uma fissura anal é uma pequena ruptura no revestimento do canal anal. Embora as fissuras agudas muitas vezes cicatrizem por conta própria, as fissuras crônicas – que duram mais de seis semanas – normalmente envolvem um ciclo de dor, espasmos do esfíncter anal interno e comprometimento do fluxo sanguíneo, impedindo a cura. A cirurgia é frequentemente necessária quando este ciclo não pode ser quebrado com cuidados conservadores.
O que é uma fissurectomia?
Uma fissurectomia envolve a excisão cirúrgica da fissura e do tecido fibrótico circundante para promover a cura. Pode ser feito sozinho ou junto com outros procedimentos, como uma esfincterotomia.
Prós:
- Abordagem simples baseada na remoção de tecidos
- Preserva o músculo esfincteriano se feito sozinho
- Pode ser combinado com injeção de Botox
Contras:
- Tempo de cura mais lento se feito sozinho
- Pode não aliviar o espasmo do esfíncter, uma das principais causas de não cura
- Maior chance de recorrência se a hipertonia esfincteriana não for tratada
O que é uma esfincterotomia?
Uma esfincterotomia interna lateral envolve uma divisão controlada de uma porção do esfíncter anal interno para aliviar o espasmo, melhorar o fluxo sanguíneo e promover a cura.
Prós:
- Aborda diretamente a causa primária: espasmo do esfíncter
- Taxas de cura de até 95%
- Alívio rápido da dor e cura mais rápida do que apenas a fissurectomia
Contras:
- Pequeno risco (1–8%) de incontinência leve, especialmente em pacientes idosos ou com cirurgias anorretais anteriores
- Pode não ser ideal para pacientes com tônus esfincteriano fraco
Taxas de sucesso – O que dizem as evidências?
Vários estudos apoiam a esfincterotomia como mais eficaz para fissuras anais crônicas isoladas:
| Procedimento | Taxa de sucesso | Recorrência | Risco de incontinência |
|---|---|---|---|
| Esfincterotomia | 90–95% | 1–8% (menor, principalmente gás) | |
| Fissurectomia Sozinha | 60–75% | 20–30% | Muito baixo |
| Fissurectomia + Esfincterotomia | 90–95% | 1–8% |
Qual cirurgia cura mais rápido?
- A esfincterotomia geralmente leva ao alívio mais rápido da dor – dentro de alguns dias – e à cura completa em 4–6 semanas.
- A fissurectomia (sem esfincterotomia) pode levar de 8 a 10 semanas e apresenta um risco maior de cicatrização retardada ou ruptura da ferida.
Quem deve evitar a esfincterotomia?
Os pacientes com maior risco de incontinência pós-operatória incluem:
- Idosos com tônus esfincteriano reduzido
- Mulheres com trauma de parto anterior ou cirurgia perineal
- Aqueles com múltiplas cirurgias anorretais anteriores
Nesses casos, a injeção de Botox + fissurectomia pode ser uma alternativa mais segura, embora às vezes menos eficaz.
Quando é usada uma abordagem combinada?
Nos casos com:
- Fissura crônica com pilha sentinela
- Base fibrótica e papila hipertrofiada
- Marcas de pele associadas ou estenose anal
Uma fissurectomia e esfincterotomia combinadas fornecem os melhores resultados – removendo tecido não saudável e resolvendo o espasmo do esfíncter.
Dicas de recuperação pós-operatória
Seja passando por fissurectomia, esfincterotomia ou ambas, siga estas dicas de recuperação:
- Banhos de assento 2 a 3 vezes ao dia
- Amolecedores de fezes (por exemplo, lactulose ou PEG)
- Dieta rica em fibras
- Tratamento da dor com AINEs ou paracetamol
- Evite constipação ou esforço a todo custo
Veredicto final – Qual é o melhor?
| Situação | Cirurgia Preferida |
|---|---|
| Fissura crônica com espasmo esfincteriano | Esfincterotomia |
| Fissura crônica sem espasmo ou alto risco de incontinência | Fissurectomia |
| Fissura complexa ou recorrente | Fissurectomia + Esfincterotomia |
| Pacientes de alto risco (por exemplo, idosos, cirurgia prévia) | Botox ou fissurectomia sozinho |
Perguntas frequentes sobre cirurgia de fissura anal
Q1: As fissuras podem voltar após a esfincterotomia?
Sim, mas a taxa de recorrência é baixa – menos de 10%. Mudanças no estilo de vida ajudam a prevenir recaídas.
Q2: A esfincterotomia é dolorosa?
A dor geralmente diminui significativamente alguns dias após a operação. Muitas vezes é menos doloroso do que fissuras não tratadas.
Q3: Quanto tempo dura o tempo de inatividade após a cirurgia?
A maioria dos pacientes retoma as atividades normais dentro de 7 a 10 dias, mas a cura completa pode levar de 4 a 6 semanas.
Q4: Vou precisar de anestesia?
Sim. Ambos os procedimentos geralmente são realizados sob anestesia raquidiana ou geral.
Conclusão
Para a maioria dos casos de fissura anal crónica, a esfincterotomia continua a ser o padrão-ouro – oferecendo uma cura mais rápida e menos recorrências. No entanto, fatores individuais do paciente, como idade, cirurgias anteriores e tônus esfincteriano, devem orientar a decisão. Em caso de dúvida, uma abordagem cirúrgica combinada ou conservadora pode ser mais segura.
Consulte sempre um cirurgião colorretal com experiência em ambas as técnicas para definir a melhor abordagem para o seu caso.
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