Acesso radial vs femoral em angiografias: principais diferenças

O que é um angiograma e escolha do local de acesso?

A angiografia coronária é um procedimento especializado de raios X usado para examinar o interior dos vasos sanguíneos do coração.[1]É o padrão ouro para diagnosticar doença arterial coronariana (DAC), identificar bloqueios e orientar tratamento como implante de stent (angioplastia).

O procedimento requer a inserção de um tubo fino e flexível denominado cateter em uma artéria. Este cateter é então cuidadosamente enfiado até o coração. O local onde o cateter entra no corpo é conhecido como local de acesso.

Os médicos usam principalmente uma das duas artérias principais para esta entrada:

  • Artéria Femoral:Localizado na virilha. Esta tem sido historicamente a abordagem padrão.
  • Artéria Radial:Localizado no pulso. Esta se tornou a abordagem preferida globalmente nos últimos anos.

A escolha entre estes dois locais, conhecidos como Acesso Radial vs. Femoral, tem implicações profundas na experiência do paciente e no resultado clínico.

A abordagem radial (pulso)

O uso da artéria radial para procedimentos cardíacos é frequentemente chamado de abordagem transradial (TRA). Ganhou preferência generalizada devido ao seu perfil de segurança superior e conforto do paciente.

Vantagens do Acesso Radial

  • Risco de sangramento significativamente menor:Este é o benefício mais crítico. A artéria radial é pequena e corre muito próxima à superfície da pele, sendo sustentada por osso (punho). Aplicar pressão na área para estancar o sangramento é fácil e eficaz. Isso reduz muito o risco de complicações hemorrágicas graves ou potencialmente fatais em comparação com o local da virilha.
  • Recuperação e deambulação mais rápidas:Os pacientes podem sentar-se e andar quase imediatamente após o procedimento, geralmente dentro de uma a duas horas, porque o pulso pode ser comprimido enquanto ainda permite o movimento. Essa rápida mobilização melhora o conforto e acelera a alta hospitalar.
  • Desconforto reduzido do paciente:Não há necessidade de repouso prolongado e rigoroso, o que muitas vezes é desconfortável e necessário após um procedimento femoral.
  • Custo reduzido:O menor tempo de recuperação muitas vezes se traduz em menor utilização de recursos hospitalares e, portanto, em custos reduzidos.

Desvantagens do acesso radial

  • Espasmo Vascular:A artéria radial é menor que a artéria femoral e às vezes pode entrar em espasmo (apertar), dificultando ou impossibilitando a inserção do cateter para o médico.
  • Oclusão do vaso:Muito raramente, a artéria radial pode ficar bloqueada (obstruída) após o procedimento, embora isso raramente cause problemas porque a mão tem um excelente suprimento sanguíneo secundário através da artéria ulnar.
  • Dificuldade Técnica:A artéria radial pode ser mais desafiadora para o médico, especialmente em pacientes idosos ou muito pequenos, e requer treinamento especializado.

A abordagem femoral (virilha)

O uso da artéria femoral para procedimentos cardíacos é frequentemente chamado de abordagem transfemoral (TFA).

Vantagens do acesso femoral

  • Tamanho de embarcação maior:A artéria femoral é muito maior e reta, facilitando e agilizando o acesso e a navegação do médico, principalmente em casos complexos ou em emergências.
  • Acomoda equipamentos maiores:Como o vaso é maior, pode acomodar cateteres maiores e dispositivos mais complexos necessários para determinadas intervenções de alto risco.
  • Acessibilidade:Continua sendo o local preferido para pacientes com fluxo sanguíneo deficiente para os braços ou para aqueles que passaram por cirurgia cardíaca anterior que requer a navegação de enxertos originados perto da virilha.

Desvantagens do acesso femoral

  • Maior risco de sangramento:Esta é a principal desvantagem. A artéria femoral é um vaso importante e profundo. O sangramento é mais difícil de controlar e pode acumular-se nos tecidos profundos da virilha, podendo causar hematomas grandes e dolorosos (hematomas) ou até mesmo sangramento retroperitoneal com risco de vida.
  • Repouso prolongado na cama:Os pacientes devem ficar deitados e imóveis por várias horas (normalmente 4–6 horas, ou mais se não forem usados ​​dispositivos de fechamento especializados) após o procedimento para evitar sangramento no local de acesso. Este repouso na cama é uma importante fonte de desconforto para o paciente e pode aumentar o risco de dores nas costas ou pneumonia.
  • Risco de infecção:A região da virilha é anatomicamente propensa a um risco ligeiramente maior de infecção em comparação com o pulso.

Por que a escolha do local de acesso é clinicamente importante

A decisão entre o acesso radial e femoral não depende apenas da preferência do médico; é uma questão de segurança do paciente fortemente apoiada por grandes ensaios clínicos.

Estudos têm demonstrado consistentemente que o uso da abordagem radial em pacientes submetidos a angiografia e angioplastia resulta em menor mortalidade e menos eventos cardíacos e cerebrais adversos maiores (MACCE), particularmente por reduzir a incidência de sangramento grave.[1]

Por este motivo:

  • Em ataques cardíacos agudos:A abordagem radial é a via geralmente preferida para pacientes que sofrem um ataque cardíaco (infarto do miocárdio com elevação do segmento ST ou STEMI) porque minimizar o sangramento é crucial nesses pacientes de alto risco que muitas vezes recebem múltiplos anticoagulantes.
  • Em Casos Eletivos:A abordagem radial é o padrão de atendimento para a maioria dos procedimentos diagnósticos de rotina e intervencionistas estáveis ​​devido às vantagens no conforto do paciente e na mobilização precoce.

A tendência na cardiologia moderna é fortemente em direção à abordagem radial porque aumenta a segurança, reduz complicações e proporciona uma recuperação muito mais rápida e confortável para o paciente, mudando fundamentalmente a experiência angiográfica de um evento restritivo para um procedimento rápido e ambulatorial.