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Principais conclusões
- O câncer existe desde a antiguidade, com a primeira documentação no Egito há cerca de 5.000 anos.
- As pessoas costumavam pensar que o câncer era causado pelo excesso de bile negra até que o sistema linfático foi descoberto no século XVII.
- A compreensão e o tratamento do câncer melhoraram muito, especialmente nas últimas décadas.
O câncer pode ter sido “descoberto” e escrito sobre ele há milhares de anos. No entanto, a própria doença já existia antes da evolução dos humanos.
Foi documentado pela primeira vez no Egito há cerca de 5.000 anos. Desde então, pessoas de culturas de todo o mundo têm escrito sobre a doença e os seus potenciais tratamentos.
Este artigo analisará o que sabemos sobre a história do câncer. Também falará sobre como a nossa compreensão sobre o que causa o câncer e como ele pode ser tratado mudou ao longo do tempo.
História do Câncer
- 3000 a.C.: A menção mais antiga conhecida ao câncer no mundo foi encontrada em um documento de papiro do antigo Egito. Descreveu tumores encontrados na mama. O câncer foi tratado destruindo o tecido com um instrumento quente chamado “simulação de incêndio” – uma técnica que hoje chamamos de “cauterização”.Alguns escritos mostraram que os antigos egípcios conseguiam distinguir entre tumores cancerosos (malignos) e não cancerosos (benignos).
- 460 a.C.: Na Grécia antiga, Hipócrates pensava que havia quatro fluidos no corpo que influenciavam a saúde: sangue, catarro, bile amarela e bile negra. Ele acreditava que ter muita bile negra em uma parte do corpo causava câncer. Durante os 1.400 anos seguintes, as pessoas acreditaram que o câncer era causado pelo excesso de bile negra.
- 1628: William Harvey, médico do rei Jaime I da Inglaterra, dissecou animais e cadáveres humanos para aprender mais sobre como o corpo funcionava. Quando publicou um livro sobre o sistema circulatório, isso derrubou ideias antigas e abriu a porta para mais pesquisas sobre o funcionamento do corpo humano.
- 1761: Giovanni Morgagni de Pádua publicou um livro baseado em centenas de autópsias que realizou em seus ex-pacientes, analisando tanto seus sintomas clínicos em vida quanto suas observações post-mortem de seus órgãos. Isso lançou as bases para as autópsias modernas para determinar a causa da morte de alguém.
- 1775:O cirurgião britânico Percivall Pott descobriu que o câncer testicular ocorria frequentemente em limpadores de chaminés. Este foi o primeiro exemplo de ligação do câncer a uma causa ambiental.
- século 17: A descoberta do sistema linfático levou a novas ideias sobre o câncer. O sistema linfático inclui os tecidos, vasos e órgãos que movimentam uma substância chamada linfa pelo corpo. A linfa é uma parte importante do seu sistema imunológico. Quando o sistema linfático foi descoberto, surgiu a possibilidade de que problemas nesta parte do corpo pudessem causar câncer. Essa ideia foi chamada de teoria da linfa. Substituiu a teoria de Hipócrates sobre a bile negra e o câncer.
- 1838: Johannes Mueller, um patologista alemão, mostrou que o câncer consiste em células e não em linfa. Seu aluno, o médico Rudolf Virchow, descobriu que todas as células, inclusive as cancerosas, se originam de outras células.No entanto, Virchow acreditava erroneamente que o câncer se espalhava pelo corpo como um líquido.
- 1860: Um cirurgião alemão chamado Karl Thiersch foi a primeira pessoa a provar que o câncer se espalha através de células malignas.
Como o câncer foi nomeado
Embora Hipócrates seja frequentemente creditado por usar o termo “câncer”, ele na verdade usou as palavras gregas “karkinos” e “karkinoma” para descrever tumores. Esses termos estão relacionados à palavra grega para “caranguejo” porque Hipócrates comparou a aparência de tumores a caranguejos.
O médico romano Celso foi o primeiro a traduzir a palavra para a palavra latina “câncer”.
Do século 20 até os dias atuais
O século 20 marcou avanços significativos na pesquisa do câncer. Durante este período, os pesquisadores identificaram substâncias cancerígenas e desenvolveram quimioterapia, radioterapia e melhores métodos de diagnóstico para o câncer. Descobertas notáveis do século incluem:
- 1915: Katsusaburo Yamagiwa e Koichi Ichikawa, da Universidade de Tóquio, aplicaram alcatrão de carvão na pele de coelhos, induzindo câncer e mostrando que algumas substâncias são cancerígenas ou causadoras de câncer.
- 1962: James Watson e Frances Crick ganharam o Prêmio Nobel pela descoberta da estrutura química do DNA.
- década de 1970: Cientistas descobrem oncogenes e genes supressores de tumor.
- 1981:O professor japonês Takeshi Hirayama publicou a primeira pesquisa ligando o câncer de pulmão ao fumo passivo.
- 1982:Baruch S. Blumberg ajudou a desenvolver uma vacina contra a hepatite B, causa do câncer de fígado.
- 1989:Os primeiros tratamentos de câncer com terapia genética começaram a evoluir.
- 1994:Os cientistas descobriram o gene BRCA1. Este foi o primeiro gene conhecido que predispõe uma pessoa ao desenvolvimento de câncer de mama ou de ovário.
- 1999:Jan Walboomers e Michele Manos encontraram evidências que implicam o papilomavírus humano (HPV) em 99,7% dos casos de cancro do colo do útero.
Hoje, ainda estamos aprendendo mais sobre o câncer. Encontrámos formas de prevenir e tratar algumas formas de cancro e até de curar outras. Os ensaios clínicos permitiram aos cientistas testar novas maneiras de encontrar e tratar o câncer. Algumas das descobertas notáveis deste século até agora incluem:
- 2006:A primeira vacina contra o vírus HPV foi aprovada nos Estados Unidos.
- 2009:Os pesquisadores descobriram que a imunoterapia melhora as taxas de cura para crianças com neuroblastoma.
- 2011:A tomografia computadorizada (TC) de baixa dose ajuda a reduzir as mortes por câncer de pulmão ao encontrar câncer em estágio inicial em pessoas de alto risco.
- 2016:Os pesquisadores encontram evidências de que um tipo de terapia genética chamada (CAR) T pode produzir remissão em algumas pessoas com câncer hematológico de células B.
- 2021:O OncoKB, um banco de dados de variantes genéticas, foi reconhecido pela FDA como uma ferramenta para prever respostas a medicamentos em pessoas com câncer. Isso ajudará os oncologistas a encontrar os melhores tratamentos individuais para pessoas com tipos específicos de câncer.
