A depressão é genética? O papel dos genes na saúde mental

Principais conclusões

  • Seus genes podem aumentar o risco de depressão, especialmente se você tiver um parente próximo com ela.
  • A depressão não é causada por um único gene, mas por variações em muitos genes.
  • Estudos com gêmeos mostram que a genética é responsável por cerca de 40% do risco de depressão.

Sua genética (características transmitidas de pais para filhos) e histórico familiar podem aumentar o risco de desenvolver depressão. A condição é cerca de 40% hereditária (o que significa que há 40% de chance de a depressão ser causada pela genética).), e você tem cerca de 3 vezes mais probabilidade de desenvolver depressão se tiver um pai ou irmão com ela.

No entanto, a genética não é o único fator que contribui para o risco de depressão. Também existem fatores de risco ambientais.

Existe um forte componente genético para a depressão

Não existe um único “gene da depressão”. Em vez disso, variações em muitos genes podem predispor uma pessoa à depressão, especialmente quando combinadas com eventos estressantes da vida ou outros fatores ambientais.

Em alguns casos, uma pessoa com depressão herda genes de um ou de ambos os pais que a predispõem à depressão. Pessoas com transtorno depressivo maior (TDM) têm 3 vezes mais probabilidade de ter um parente de primeiro grau (como um pai ou irmão) com depressão do que pessoas que não têm TDM.

Por outro lado, muitas pessoas com depressão não têm histórico familiar da doença.

Estudos com gêmeos ajudam pesquisadores a compreender o risco genético de depressão

Os pesquisadores costumam usar estudos de gêmeos para entender como a genética funciona, já que os gêmeos compartilham a genética e foram criados no mesmo ambiente. Gêmeos idênticos compartilham 100% de seu DNA, enquanto gêmeos fraternos compartilham 50%.

Se os gémeos idênticos têm maior probabilidade de partilhar uma doença do que os gémeos fraternos, então isto indica uma componente genética, o que é o caso em estudos sobre depressão.

Embora estudos com gêmeos sugiram que cerca de 40% da depressão seja hereditária, os outros 60% de risco vêm de outras causas além dos genes herdados, como fatores psicológicos ou físicos, como trauma ou doença.

Genes ligados à depressão

A depressão é poligênica, o que significa que muitos genes (em vez de um único) contribuem para ela.

Embora esta não seja uma lista exaustiva, alguns dos genes ligados à depressão incluem o seguinte:

  • BDNF: Este gene produz o fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), uma proteína importante no cérebro e na medula espinhal necessária para a sobrevivência dos neurônios e suas mudanças ao longo do tempo (também chamada de plasticidade cerebral).Níveis baixos de BDNF têm sido associados à depressão.
  • SLC6A4: Este gene está envolvido no transporte de serotonina, um neurotransmissor de “bem-estar” associado à depressão.
  • NEGR1: Este gene afeta o crescimento dos neurônios, a formação de sinapses e a função sináptica. Os neurônios são células do sistema nervoso que transmitem mensagens elétricas, e as sinapses são onde essas mensagens são recebidas.
  • LRFN5: Este gene também afeta o crescimento e a função dos neurônios.
  • OLFM4: Este gene secreta uma proteína que afeta a inflamação, a imunidade e o câncer.
  • RBFOX1: Este gene está envolvido no desenvolvimento do cérebro e está associado a diversas outras condições psiquiátricas, como ansiedade, neuroticismo e transtorno do espectro do autismo (TEA).

À medida que a tecnologia avança, os cientistas são capazes de realizar estudos de associação genômica ampla (GWAS) sobre a depressão. O GWAS analisa o ADN de grandes populações para identificar variações genéticas partilhadas que possam estar ligadas a determinadas condições.

Em 2021, o maior GWAS de depressão até à data analisou o genoma de mais de 1,2 milhões de pessoas e encontrou 233 variações genéticas associadas à depressão.

No entanto, a investigação genética sobre a depressão tem sido criticada por se concentrar principalmente em pessoas de ascendência europeia.

Em resposta a essas críticas, um GWAS de 2024 analisou a genética de pessoas de ascendência africana, do Leste Asiático, do Sul da Ásia e hispânica/latino-americana. Este estudo encontrou variações genéticas adicionais associadas à depressão que não tinham sido identificadas antes, enfatizando a importância da diversidade na investigação.

Outros fatores de risco além da genética

Ter depressão não se deve apenas aos seus genes. As pessoas desenvolvem depressão devido a interações complexas entre fatores sociais, biológicos e psicológicos.

Fatores que podem aumentar o risco de desenvolver depressão incluem:

  • Hormônios: Alterações nos seus hormônios – como as que ocorrem após a gravidez – podem aumentar o risco de depressão. Os hormônios poderiam explicar parcialmente por que a depressão é mais comum entre as mulheres, que sofrem mais flutuações hormonais.
  • Estilo de vida: Vários fatores de estilo de vida estão ligados à depressão. Estes incluem um estilo de vida sedentário (inatividade), aumento do tempo de tela, dietas pouco saudáveis, tabagismo, consumo excessivo de álcool e má higiene oral podem aumentar o risco de depressão.
  • Saúde física: Problemas com sua saúde física podem aumentar o risco de depressão. Muitas condições de saúde, como câncer, diabetes, doenças respiratórias e doenças cardíacas, podem contribuir para a depressão devido aos desafios de conviver com essa doença.
  • Dormir: O sono e a depressão têm uma relação bidirecional, ou seja, um afeta o outro.Estar deprimido pode piorar a qualidade do sono e fazer com que você durma mais ou não o suficiente. No entanto, ter um sono de má qualidade, dormir excessivamente e não dormir o suficiente também pode contribuir para a depressão.
  • Isolamento social: Vivenciar a solidão e o isolamento social está fortemente ligado à depressão.
  • Eventos estressantes: Eventos estressantes na vida – como perder o emprego ou a morte de um ente querido – podem aumentar a probabilidade de desenvolver depressão.
  • Trauma: Experimentar traumas, especialmente traumas de infância, aumenta o risco de depressão.