Pergunte a um especialista: a hidradenite supurativa é genética?

Conheça o especialista
Deeptej Singh, MD, é dermatologista certificado em consultório particular com sede em Albuquerque, Novo México. Ele é professor assistente de dermatologia na Universidade do Novo México e membro da Academia Americana de Dermatologia.

Saude Teu: Quais são algumas pistas de que suspeitas de furúnculos ou infecções possam na verdade ser hidradenite supurativa (HS)? Quando é o momento apropriado para procurar atendimento especializado?

Dr.Singh: HS tem distribuição anatômica. Classicamente, afeta as axilas, a virilha e a parte superior das nádegas na região do cóccix. Na minha experiência, também vi os seios, a parte inferior do abdômen e até o pescoço afetados. A HS faz parte da chamada tríade de oclusão folicular – isto é, HS, acne nodulocística e celulite dissecante do couro cabeludo. Não é incomum ter alguma combinação única de locais afetados.

O momento apropriado para procurar ajuda é imediatamente. A intervenção precoce faz uma grande diferença. Ter a orientação de um dermatologista que já tratou centenas de pacientes antes de você pode proporcionar conforto e segurança inestimáveis. Encontrar um médico que tenha uma abordagem que você goste também pode levar tempo. Mas por se tratar de uma doença de longa duração, vale a pena encontrar uma relação terapêutica que lhe sirva.

Saude Teu: A HS é genética? Ter um membro da família com isso aumenta a probabilidade de você contraí-lo e você pode transmiti-lo aos seus filhos?

Dr.Singh:Embora exista um pequeno componente genético da HS, o facto de a sua incidência ter aumentado tanto nas últimas duas décadas indica que o ambiente é muito mais importante do que os genes na expressão da doença. Embora ter um parente de primeiro grau com HS aumente a chance, não é de todo certo que os filhos de uma pessoa afetada terão HS. Em geral, quando pensamos em genes e doenças, é fundamental compreender que os nossos pais nos dão cerca de 20.000 genes e isso é imutável (incapaz de ser alterado).

Nosso microbioma intestinal possui dezenas de milhões de genes e, por meio de dieta, exercícios e escolhas de estilo de vida, temos o poder de alterar esses genes. Por último, através da epigenética, influenciamos a forma como todos estes genes são expressos. Neste momento, a ciência disponível não apoia que sejamos fatalistas em relação aos genes e à HS.