Depreciação e Amortização na Demonstração do Resultado

Se você deseja investir em uma empresa de capital aberto, realizar uma análise robusta de sua demonstração de resultados pode ajudá-lo a determinar o desempenho financeiro da empresa.

Existem muitos termos e conceitos financeiros diferentes incorporados nas demonstrações de resultados. Dois destes conceitos – depreciação e amortização – podem ser um pouco confusos, mas são essencialmente utilizados para contabilizar a diminuição do valor dos activos ao longo do tempo. Especificamente, a amortização ocorre quando a depreciação de um ativo intangível é dividida ao longo do tempo, e a depreciação ocorre quando um ativo fixo perde valor ao longo do tempo.

Despesa de Depreciação e Depreciação Acumulada

A despesa de depreciação é um item da demonstração do resultado. É contabilizado quando as empresas registram a perda de valor de seus ativos fixos por meio de depreciação. Ativos físicos, como máquinas, equipamentos ou veículos, degradam-se com o tempo e diminuem de valor gradativamente. Ao contrário de outras despesas, as despesas de depreciação são listadas nas demonstrações de resultados como um encargo “não monetário”, indicando que nenhum dinheiro foi transferido quando as despesas foram incorridas.

A depreciação acumulada é registrada na planilha Saúde Teu. Esta rubrica reflete o total de encargos de depreciação assumidos até à data sobre um ativo específico à medida que o seu valor diminui devido ao desgaste ou obsolescência.

Quando as despesas de depreciação aparecem na demonstração do resultado, ao invés de reduzir o caixa na planilha Saúde Teu, elas são adicionadas à conta de depreciação acumulada. Isso reduz o valor contábil dos ativos fixos relevantes.

Exemplo: Despesa de Depreciação

Na última década, a Sherry’s Cotton Candy Company obteve um lucro anual de US$ 10.000. Um ano, a empresa comprou uma máquina de algodão doce por US$ 7.500, com previsão de durabilidade de cinco anos. Um investidor que examina o fluxo de caixa pode ficar desanimado ao ver que o negócio obteve apenas US$ 2.500 (lucro de US$ 10.000 menos US$ 7.500 de despesas com equipamentos).

Em contraponto, os contadores de Sherry explicam que a despesa com a máquina de US$ 7.500 deve ser alocada ao longo de todo o período de cinco anos, quando se espera que a máquina beneficie a empresa. O custo anual é de US$ 1.500 (US$ 7.500 divididos por cinco anos).

Em vez de realizar uma grande despesa única naquele ano, a empresa subtrai US$ 1.500 de depreciação a cada ano durante os próximos cinco anos e reporta ganhos anuais de US$ 8.500 (lucro de US$ 10.000 menos US$ 1.500). Este cálculo dá aos investidores uma representação mais precisa do poder aquisitivo da empresa.

Mas esta abordagem também apresenta um dilema. Embora a empresa tenha reportado ganhos de US$ 8.500, ela ainda emitiu um cheque de US$ 7.500 para a máquina e tinha apenas US$ 2.500 no banco no final do ano. Se a máquina não gerasse receita no ano seguinte e os lucros da empresa fossem exatamente os mesmos, ela reportaria a depreciação de US$ 1.500 na demonstração de resultados em despesas de depreciação e reduziria o lucro líquido para US$ 7.000 (lucro de US$ 8.500 menos depreciação de US$ 1.500).

Exemplo: Amortização

Num ano muito movimentado, a Sherry’s Cotton Candy Company adquiriu a Milly’s Muffins, uma padaria conhecida pelos seus deliciosos confeitos. Após a aquisição, a empresa adicionou o valor dos equipamentos de panificação e outros ativos tangíveis da Milly ao seu balanço.

Também agregou o valor do reconhecimento da marca Milly, um ativo intangível, como um item do balanço denominado ágio. Como o IRS permite um período de 15 anos para utilizar o ágio, os contadores de Sherry mostram 1/15 do valor do ágio da aquisição como despesa de amortização na demonstração do resultado a cada ano até que o ativo seja totalmente consumido.

Lançamentos Contábeis e Lucro Real

Alguns investidores e analistas sustentam que as despesas de depreciação devem ser adicionadas novamente aos lucros de uma empresa porque não requerem desembolso imediato de dinheiro. Esses analistas sugeririam que Sherry não estava realmente pagando US$ 1.500 por ano. Eles diriam que a empresa deveria ter adicionado os valores da depreciação aos US$ 8.500 em lucros reportados e avaliado a empresa com base no valor de US$ 10.000.

A depreciação é uma despesa muito real. Em teoria, a depreciação tenta igualar o lucro às despesas necessárias para gerar esse lucro. Um investidor que ignora a realidade económica das despesas de depreciação pode facilmente sobrevalorizar uma empresa e o seu investimento pode sofrer como resultado.

Considerações Finais

Os investidores em valor e as empresas de gestão de activos adquirem por vezes activos que têm grandes despesas fixas iniciais, resultando em elevados encargos de depreciação para activos que poderão não necessitar de substituição durante décadas. Isto resulta em lucros muito mais elevados do que a demonstração de resultados por si só parece indicar. Empresas como estas negociam frequentemente com elevados rácios preço/lucro, rácios preço-lucro-crescimento (PEG) e rácios PEG ajustados por dividendos, embora não estejam sobrevalorizados.

Perguntas frequentes (FAQ)

Qual é a diferença entre depreciação e amortização?

A principal diferença entre depreciação e amortização é que a depreciação trata de propriedades físicas, enquanto a amortização trata de ativos intangíveis. Ambos são opções de recuperação de custos para empresas que ajudam a deduzir os custos de operação.

Como você calcula a depreciação e amortização?

Calcular a amortização e a depreciação usando o método linear é o mais simples. Você pode calcular esses valores dividindo o custo inicial do ativo pela vida útil dele.