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Durante tempos de crise financeira, o governo dos EUA por vezes fornece ajuda destinada a estimular a economia e prevenir desastres económicos. Um dos resultados é que o governo pode acabar por desempenhar um papel significativo no destino de muitos bancos. Quando o governo intercede, o tema da nacionalização dos bancos surge frequentemente logo a seguir, e o assunto suscita debates acesos.
O que significa nacionalizar os bancos e como a nacionalização afetaria os bancos?
O que é nacionalização?
A nacionalização ocorre quando um governo assume o controle de uma organização privada. Os órgãos governamentais acabam com a propriedade e o controle do negócio, e os proprietários anteriores (ou acionistas) perdem seu investimento.
Os bancos nos Estados Unidos são normalmente empresas, não agências governamentais. Os proprietários do banco podem ser acionistas, uma família, um pequeno grupo de pessoas ou outros investidores. A nacionalização daria o controle desses bancos ao governo.
Ação Unilateral
Na nacionalização, a propriedade e a transferência de controle para o governo, geralmente como uma decisão unilateral, o que significa que o governo toma a decisão, e não os proprietários dos bancos. Um governo pode tomar uma decisão unilateral se, por exemplo, um banco estiver no ponto de falência ou perto dele, cujas consequências poderão ter efeitos em cascata no resto da economia.
Perdas das partes interessadas
Após a nacionalização, os proprietários anteriores já não controlam o activo. Se o activo tiver valor, a nacionalização pode, compreensivelmente, ser uma ideia assustadora para os investidores privados.
Observação
Quando ocorre a nacionalização, os proprietários e gestores anteriores perdem a sua participação acionária. No entanto, indivíduos em cargos de gestão podem acabar mantendo seus empregos.
Medidas Temporárias
A nacionalização dos bancos pode ser uma medida temporária e acontece quando os bancos em dificuldades financeiras precisam de ser resgatados.As nacionalizações bancárias temporárias não são inéditas nos Estados Unidos: a Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) intervém, assume o controlo e transfere a propriedade do banco falido para outro banco saudável.
Quando os bancos estão insolventes, entram em concordata e são reprivatizados quando outro banco compra os activos do banco falido. O período de propriedade do governo é normalmente breve e os ativos do banco voltam a ser propriedade privada pouco depois. Para a maioria dos consumidores, esse sistema funciona muito bem. Em vez de perder seu dinheiro na falência de um banco, você está protegido pelo governo federal. Na maioria dos casos, você dificilmente notará quando seu banco falir, porque o FDIC está protegendo seus ativos.
Observação
Em alguns casos, o governo dos EUA controla os bancos por um período mais prolongado. Em situações complicadas, como no caso do IndyMac Bank durante a crise financeira de 2008 e 2009, o processo pode demorar vários meses ou anos.
As cooperativas de crédito seguradas pelo governo federal, que pertencem a seus membros ou clientes, têm proteção semelhante ao abrigo do seguro NCUSIF.
Nacionalização em larga escala
A maioria das pessoas não tem problemas com a intervenção do governo para limpar a falência ocasional de bancos. O debate político começa a aquecer quando o tema se volta para medidas mais drásticas, como a nacionalização de todos os bancos, ou a nacionalização de outras indústrias, como a saúde.
É improvável que todos os bancos sejam nacionalizados nos EUA. Tais ações são vistas como temporárias, parte de um resgate durante eventos como uma crise financeira. A gestão de bancos seria um empreendimento operacional significativo para o governo dos EUA, mesmo que apenas os maiores bancos fossem nacionalizados. A nacionalização de todos os bancos só seria provável se um regime extremamente de cima para baixo governasse a nação.
Nacionalizar apenas os maiores bancos é um cenário que foi proposto durante a crise das hipotecas sub-prime para bancos classificados como “demasiado grandes para falir”. Considerou-se que esses bancos criavam um risco excessivo para a economia global e para os contribuintes dos EUA. Contudo, a utilização de outras medidas, tais como requisitos de capital mais elevados, ajudou a reduzir a probabilidade de falhas catastróficas.
Ideologia
A nacionalização de uma indústria é controversa, especialmente nos EUA. Os países em desenvolvimento assumiram o controle das indústrias em tempos de turbulência, mas os EUA tendem a ser um ambiente mais indiferente. Contudo, a nacionalização é possível sempre que as forças políticas a tornem aceitável.
Por exemplo, durante a crise hipotecária, as acções dos grandes bancos (e as suas repercussões) chamaram a atenção dos legisladores, que consideraram sensato assumir o controlo de certas instituições. Os cuidados de saúde são outro exemplo em que o abuso e a falta de transparência causaram sofrimento, fazendo com que a nacionalização parecesse uma solução potencial para alguns.
Efeitos da Nacionalização
A nacionalização poderia ter vários resultados, cada um dos quais poderia afectar as partes interessadas de diferentes maneiras.
Executivos
Quando os bancos são nacionalizados, as partes interessadas (incluindo os executivos, que têm interesses significativos no banco) perdem dinheiro. Os executivos que atualmente têm pacotes de remuneração superdimensionados poderiam ganhar menos se permanecessem no cargo após a transferência. No entanto, isso poderia potencialmente desencorajar o risco moral, ou a situação que surge quando os executivos tomam ações arriscadas que só têm consequências para os contribuintes.
Acionistas
Os investidores que lucram com empresas que assumem riscos também podem perder. Idealmente, essa possibilidade desencoraja os investidores de investirem dinheiro em empresas que assumem riscos e torna mais difícil para essas empresas angariarem capital.
Gestão Governamental
Alguns argumentam que o governo federal está mal equipado para gerir organizações complexas e que a política pode afectar as operações e a gestão. Outros dizem que os contribuintes podem, em última análise, poupar dinheiro resgatando bancos em dificuldades e trazendo-os de volta à vida (sem deixar que todos os benefícios sejam transferidos para accionistas e executivos).
