Por trás da reversão de Tesla: o impacto ambiental do Bitcoin

Esse é o número de transações Visa necessárias para criar a pegada de carbono de uma única transação Bitcoin – um custo ambiental que levou a montadora de carros elétricos Tesla a parar de aceitar a criptomoeda como pagamento por seus veículos.

A Tesla e seu CEO bilionário, Elon Musk, ganharam as manchetes no início deste ano ao anunciar que a montadora com sede na Califórnia aceitaria Bitcoin na compra de carros. Mas na noite de quarta-feira Musk tuitou que a empresa suspenderia as compras de carros Bitcoin e procuraria criptomoedas alternativas que tivessem uma pegada ambiental muito menor por transação.É necessária uma grande quantidade de eletricidade para alimentar as transações de Bitcoin – e essa energia vem principalmente de combustíveis fósseis, de acordo com o Digiconomist, um site fundado por um pesquisador baseado em Amsterdã que opera o “Índice de Consumo de Energia Bitcoin”.

“A criptomoeda é uma boa ideia em muitos níveis e acreditamos que ela tem um futuro promissor, mas isso não pode ter um grande custo para o meio ambiente”, postou Musk no Twitter na quarta-feira.

O custo ambiental está disparando: o uso anual de energia elétrica da rede Bitcoin – conforme medido no índice de consumo – aumentou mais de 12 vezes desde 2017, à medida que a criptomoeda se tornou um investimento popular, estima a Digicomonist. Uma única transação utiliza a mesma quantidade de energia que uma família média nos EUA utiliza durante 38 dias, levando às mesmas emissões de carbono que as 1,18 milhões de transações Visa.

Um fator que contribui para a reputação do Bitcoin: cerca de três quartos do Bitcoin são extraídos na China e metade da rede está localizada numa única província onde a energia provém em grande parte do carvão, de acordo com estimativas num relatório de março da BofA Global Research. “O Bitcoin hoje é principalmente um derivado do carvão”, escreveram os analistas do BofA.