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Desmascarando um mito comum
É uma experiência familiar e perturbadora: você se levanta rápido demais e, por um momento, a sala gira. Sua visão pode ficar embaçada e você sente uma onda de tontura que o força a se equilibrar. É uma inconveniência, uma perda momentânea de equilíbrio que a maioria das pessoas atribui casualmente à “baixa de açúcar no sangue”. Mas embora o açúcar no sangue possa desempenhar um papel, esta suposição comum muitas vezes mascara uma causa subjacente mais complexa e muitas vezes mais grave.
A verdade é que essa sensação é um sinal poderoso do seu corpo. É um sinal de que o seu cérebro não está recebendo sangue suficiente, e o problema não é a falta de açúcar, mas a capacidade do seu sistema circulatório de combater a gravidade. Compreender esta distinção crucial é o primeiro passo para um diagnóstico adequado e um tratamento eficaz.
Uma resposta rápida à gravidade
A capacidade do seu corpo de permanecer em pé sem desmaiar é uma prova da incrível eficiência do seu sistema nervoso autônomo (SNA). Esta é a parte do sistema nervoso que funciona sem pensamento consciente para regular funções vitais como frequência cardíaca e pressão arterial.
Quando você está deitado ou sentado, o sangue é distribuído de maneira relativamente uniforme por todo o corpo. No momento em que você se levanta, porém, a gravidade puxa uma quantidade significativa de sangue, até meio litro, para as pernas e abdômen. Para evitar uma queda repentina na pressão arterial e garantir que o cérebro receba o oxigênio de que necessita, o seu SNA entra imediatamente em ação. Em poucos segundos, ele desencadeia duas respostas principais:
- Ele envia sinais para que os vasos sanguíneos se contraiam, o que empurra o sangue de volta para o coração.
- Diz ao seu coração para bater um pouco mais rápido para manter o fluxo sanguíneo adequado para o cérebro.
Quando esse intrincado sistema de freios e contrapesos falha, o resultado é a sensação de tontura que você sente ao se levantar.
Hipotensão Ortostática
A causa mais comum de tontura em pé é a hipotensão ortostática (OH), também conhecida como hipotensão postural. Esta condição ocorre quando o sistema nervoso autônomo do seu corpo não consegue contrair adequadamente os vasos sanguíneos, levando a uma queda significativa na pressão arterial ao ficar em pé.
- O Mecanismo:Em uma pessoa com HO, os vasos sanguíneos não se contraem o suficiente, fazendo com que o sangue se acumule na parte inferior do corpo. Como resultado, a pressão arterial cai e o cérebro recebe um suprimento sanguíneo reduzido.
- O diagnóstico:Medicamente, a HO é definida como uma queda de pelo menos 20 mmHg na pressão arterial sistólica ou de pelo menos 10 mmHg na pressão arterial diastólica dentro de três minutos após ficar em pé.[1]
- Sintomas:Os principais sintomas são tontura, desmaio e visão turva ou em túnel que ocorrem imediatamente ao se levantar e desaparecem alguns minutos depois de sentar ou deitar. Em casos graves, pode causar desmaios (síncope) e quedas.
Causas Comuns e Fatores de Risco
A HO é particularmente comum em adultos mais velhos devido a alterações relacionadas à idade na elasticidade dos vasos sanguíneos. Outras causas principais incluem:
- Desidratação:A falta de líquidos no corpo leva a uma diminuição do volume sanguíneo, dificultando a manutenção da pressão arterial.
- Medicamentos:Uma ampla gama de medicamentos, incluindo aqueles para hipertensão, depressão e problemas de próstata, podem causar OH como efeito colateral.
- Condições subjacentes:Pode ser um sintoma de distúrbios do sistema nervoso, como a doença de Parkinson, ou de condições crônicas como o diabetes, que podem danificar os nervos que controlam a pressão arterial.
POTS: Quando o coração dispara para compensar
A tontura ao ficar em pé nem sempre envolve queda na pressão arterial. Outra condição cada vez mais reconhecida é a Síndrome de Taquicardia Postural Ortostática (POTS). Embora tanto a OH como a POTS sejam condições de intolerância ortostática, os seus mecanismos são distintos.
- O Mecanismo:No POTS, o principal problema não é a queda da pressão arterial, mas sim um aumento excessivo e rápido da frequência cardíaca quando em pé. O coração compensa excessivamente o acúmulo gravitacional de sangue, correndo para tentar levar sangue ao cérebro, embora a pressão arterial permaneça relativamente estável.
- O diagnóstico:Um diagnóstico de POTS é normalmente feito quando a frequência cardíaca de uma pessoa aumenta 30 batimentos por minuto (bpm) ou mais (ou mais de 40 bpm em adolescentes) dentro de 10 minutos após ficar em pé, sem uma queda significativa na pressão arterial.[3]
- Sintomas:Além da tontura, o ritmo cardíaco acelerado geralmente causa palpitações, batimentos cardíacos e sensação de mal-estar. Outros sintomas comuns incluem:
- Névoa cerebral:Dificuldade de concentração e problemas de memória.
- Fadiga:Cansaço extremo e muitas vezes debilitante.
- Intolerância ao exercício:Incapacidade de tolerar esforço físico.
- Náuseas, dores de cabeça e suores:Uma variedade de outros sintomas também pode estar presente, tornando a POTS uma condição complexa e muitas vezes incompreendida.
- Dados Demográficos Comuns:Ao contrário da HO, que frequentemente afecta adultos mais velhos, a POTS é mais frequentemente diagnosticada em mulheres jovens, muitas vezes após uma doença viral, cirurgia ou outro factor de stress significativo.
Além da Circulação
Embora OH e POTS sejam as causas mais frequentes de tontura ao ficar em pé, outras condições também podem ser responsáveis.
- Desidratação e Anemia:A desidratação reduz o volume sanguíneo, enquanto a anemia, falta de glóbulos vermelhos saudáveis, também significa que menos oxigênio é transportado para o cérebro, levando a uma sensação de tontura.
- Efeitos colaterais de medicamentos:Muitos medicamentos vendidos sem receita e prescritos, incluindo alguns para alergias, dor e depressão, podem ter tonturas como efeito colateral.
- Problemas do ouvido interno:A tontura ao ficar em pé às vezes pode ser uma forma de vertigem: condições como a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) são causadas pelo deslocamento de pequenos cristais no ouvido interno. Embora isso cause uma sensação de tontura (vertigem) desencadeada por movimentos da cabeça, é diferente da tontura de OH ou POTS.
- O papel do baixo nível de açúcar no sangue (hipoglicemia):Embora muitas vezes responsabilizado, o nível baixo de açúcar no sangue é uma condição específica. Geralmente ocorre em pessoas com diabetes que usam insulina ou tomam certos medicamentos. Pode causar tontura, mas geralmente é acompanhada por outros sintomas como suor, tremores e ansiedade. Para quem não tem diabetes, raramente é a única causa de tontura crônica ao ficar em pé.
A jornada de diagnóstico e tratamento
Como a tontura ao ficar em pé pode ser um sintoma de muitas condições diferentes, um diagnóstico adequado é crucial. O médico começará coletando um histórico médico detalhado e realizando um exame físico.
- Teste de posição ativa:O primeiro passo geralmente é um teste simples no consultório médico. Sua pressão arterial e frequência cardíaca serão medidas enquanto você estiver deitado, imediatamente ao se levantar e, a seguir, um e três minutos depois de se levantar. Isso pode revelar rapidamente OH ou POTS.
- Teste de inclinação da mesa:Em casos mais complexos, um especialista pode solicitar um teste de inclinação da mesa. Para isso, você se deita em uma mesa que é lentamente inclinada para cima enquanto sua pressão arterial e frequência cardíaca são monitoradas continuamente. Este teste é altamente eficaz na reprodução e diagnóstico de ambas as condições.
O tratamento para OH e POTS geralmente começa com mudanças simples, mas eficazes no estilo de vida:
- Aumentar líquidos e sal:Para ambas as condições, aumentar a ingestão de água (até 2-3 litros por dia) e sal na dieta pode ajudar a aumentar o volume sanguíneo.
- Meias de compressão:Essas roupas ajudam a evitar que o sangue se acumule nas pernas.
- Movimento:Evitar longos períodos parado e usar contra-manobras, como cruzar as pernas ou cerrar os punhos, pode ajudar a atenuar os sintomas.
- Medicamentos:Para casos mais graves, estão disponíveis medicamentos para aumentar a pressão arterial (para OH) ou modular a frequência cardíaca (para POTS).
