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Demênciaé uma condição neurológica progressiva e muitas vezes irreversível, caracterizada por um declínio na função cognitiva. Esse declínio afeta várias habilidades cognitivas, como memória, raciocínio, linguagem e habilidades de resolução de problemas. Geralmente é grave o suficiente para interferir nas atividades diárias e nas interações sociais. A demência é causada por danos às células cerebrais, que podem ocorrer devido a várias condições ou doenças subjacentes. Os tipos comuns de demência incluemDoença de Alzheimer,demência vascular, eDemência por corpos de Lewy.
A demência afecta a vida de milhões de pessoas em todo o mundo, mas permanece envolta em mal-entendidos e conceitos errados.(1)À medida que a nossa compreensão da demência avança, torna-se crucial desmascarar os mitos predominantes que cercam esta condição. Vamos embarcar numa viagem para desvendar a verdade sobre a demência, separando os factos da ficção. Ao dissipar estes mitos médicos comuns em torno da demência, podemos aumentar a consciência e a empatia para com os indivíduos e famílias que enfrentam os desafios da demência.
Mito nº 1: Você terá demência automaticamente à medida que envelhece!
Um dos equívocos mais prevalecentes sobre o envelhecimento é a crença de que a demência é uma companheira inevitável na velhice. No entanto, é imperativo dissipar este mito, uma vez que a demência não é um aspecto intrínseco do processo de envelhecimento. Na verdade, pesquisas e estudos demonstraram que, embora o risco de desenvolver demência aumente com a idade, não é de forma alguma uma conclusão precipitada para todos os idosos.
A Associação de Alzheimer, uma das principais autoridades em demência, forneceu informações esclarecedoras a este respeito. O seu relatório revela que a doença de Alzheimer, a forma mais prevalente de demência, afecta apenas três por cento dos indivíduos com idades compreendidas entre os 65 e os 74 anos, só nos Estados Unidos.(2)
Esta estatística sublinha um ponto crucial: embora a demência se torne mais prevalente com o avanço da idade, não é de forma alguma uma certeza. À medida que os indivíduos progridem na velhice, o risco aumenta. Por exemplo, o relatório indica que 17 por cento das pessoas com idades entre 75 e 84 anos, e um número significativo de 32% das pessoas com 85 anos ou mais, recebem um diagnóstico de demência.
É importante reconhecer que estas percentagens representam apenas uma proporção da população e não uma inevitabilidade para todos os idosos. Estes dados sublinham a necessidade de desafiar o equívoco de que o envelhecimento conduz inevitavelmente à demência, reforçando a importância de medidas proactivas e de uma compreensão mais profunda dos factores de risco associados a esta condição complexa.(3)
Portanto, muitos idosos não apresentam demência. Na realidade, a maioria mantém as suas funções cognitivas e leva uma vida plena. É, portanto, crucial compreender que a demência é uma condição médica e não um sinal típico de envelhecimento.
Portanto, o facto médico que dissipa este mito é que a demência não é um aspecto inerente ao processo de envelhecimento. Embora a probabilidade de desenvolver demência aumente definitivamente com a idade, não é um resultado inevitável do envelhecimento.
Mito nº 2: Demência significa doença de Alzheimer
Um dos equívocos mais comuns no domínio da saúde cognitiva é a crença de que demência e doença de Alzheimer são termos intercambiáveis. Na realidade, estas são condições distintas com características, causas e manifestações únicas. Compreender as diferenças entre a demência e a doença de Alzheimer não é apenas crucial para um diagnóstico e tratamento precisos, mas também para fornecer os melhores cuidados possíveis aos indivíduos afetados e às suas famílias.
A demência é uma condição complexa que abrange vários tipos distintos, cada um com características únicas e patologia subjacente. Embora a doença de Alzheimer seja a forma mais comum, representando uma maioria significativa dos casos, existem vários outros tipos de demência que merecem atenção.
Representando 60-80% dos casos de demência, a doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva caracterizada pela acumulação de placas e emaranhados no cérebro.(4)Essas estruturas perturbam o funcionamento celular normal, levando à morte celular.
Existem também muitas outras formas de demência, incluindo demência vascular, demência frontotemporal, demência mista, etc.(5)O Instituto Nacional do Envelhecimento define apropriadamente a demência como a perda do funcionamento cognitivo e das capacidades comportamentais a tal ponto que prejudica significativamente a vida diária.(6)Embora estes vários tipos de demência partilhem algumas características comuns, é crucial reconhecer que cada tipo está associado a uma patologia subjacente distinta, necessitando de abordagens personalizadas para diagnóstico e tratamento.
Assim, de facto, a doença de Alzheimer é apenas uma variante da demência. O facto médico é que a demência serve como um termo genérico que reúne vários distúrbios cognitivos.
Mito nº 3: a demência é hereditária
É um equívoco comum pensar que a demência é exclusivamente hereditária, mas isso não é totalmente exato. Embora existam alguns casos raros em que mutações genéticas específicas podem aumentar o risco de desenvolver certos tipos de demência, especialmente formas de início precoce, a maioria dos casos de demência não são herdados diretamente.
Aqui estão alguns fatos médicos para dissipar esse mito:(7,8)
- Genética e Meio Ambiente:A demência é influenciada por fatores genéticos e ambientais. As escolhas de estilo de vida e a saúde geral contribuem significativamente para o risco de um indivíduo desenvolver demência.
- Formas comuns de demência:As formas mais prevalentes de demência, incluindo a doença de Alzheimer, são multifatoriais, resultantes de uma combinação de predisposições genéticas e influências ambientais.
- Casos familiares vs. esporádicos:Embora existam casos raros de Alzheimer familiar, a forma esporádica mais comum não é herdada diretamente nas famílias.
- Genes modificadores de risco:Genes específicos, como o gene APOE, estão ligados ao aumento do risco de Alzheimer, mas possuir estes genes não garante o desenvolvimento da doença.
A compreensão de que a demência surge de uma interação complexa de fatores genéticos e ambientais dissipa o mito de que é exclusivamente hereditária. As escolhas de estilo de vida desempenham um papel crucial na redução do risco.
Mito nº 4: a demência só pode afetar pessoas mais velhas
É amplamente aceito que a demência afeta exclusivamente indivíduos mais velhos, mas esta noção não é totalmente precisa. Embora seja verdade que o risco de desenvolver demência aumenta com a idade, pode, de facto, manifestar-se também em adultos mais jovens.
Alguns fatos médicos que ajudarão a dissipar esse mito comum são os seguintes:
- Demência de início jovem:A demência pode ocorrer em indivíduos com menos de 65 anos de idade, conhecida como demência de início jovem, embora com menor frequência.(9)
- Causas subjacentes:Fatores como mutações genéticas, lesões cerebrais, condições médicas e distúrbios neurológicos podem contribuir para a demência de início jovem.
- Desafios de diagnóstico:Reconhecer a demência em pessoas mais jovens pode ser mais difícil devido ao início inesperado, podendo levar a um diagnóstico tardio.
- Considerações exclusivas:A demência de início jovem apresenta desafios distintos, incluindo carreira, planeamento familiar e estabilidade financeira, diferentes daqueles enfrentados pelos indivíduos mais velhos.
A demência não se limita à idade avançada; também pode afetar indivíduos mais jovens. Reconhecer isto amplia a compreensão e apoia o diagnóstico oportuno e a ajuda direcionada para aqueles com demência de início jovem. Isto sublinha a importância de uma maior sensibilização e conhecimento sobre esta forma menos comum, mas impactante, da doença.
Mito nº 5: a demência só tem impacto na memória de uma pessoa
Embora a perda de memória seja um sintoma proeminente da demência, é crucial compreender que a condição abrange uma gama mais ampla de alterações cognitivas e comportamentais.
É importante compreender que a demência afeta várias funções cognitivas além da memória, incluindo raciocínio, resolução de problemas, habilidades linguísticas e capacidade de atenção. Também pode levar a mudanças de comportamento e personalidade.
Além do mais, diferentes tipos de demência podem ter manifestações distintas. Por exemplo, a demência frontotemporal afecta principalmente o comportamento e a personalidade, enquanto a doença de Alzheimer conduz frequentemente a um declínio progressivo em várias capacidades cognitivas.(10)
A demência também pode resultar em desafios emocionais, comomudanças de humor,ansiedade,depressãoe, em alguns casos, até agressão. Esses aspectos impactam significativamente a qualidade de vida de uma pessoa. À medida que a demência progride, os indivíduos também podem enfrentar dificuldades nas atividades diárias, como vestir-se, alimentar-se e gerir a higiene pessoal. Isso pode levar ao aumento da dependência dos cuidadores.
O impacto da demência vai muito além da perda de memória. Compreender a natureza multifacetada da doença permite um melhor apoio e cuidados aos indivíduos afetados e às suas famílias. Reconhecer a gama de alterações cognitivas, emocionais e funcionais associadas à demência é importante na prestação de cuidados abrangentes aos pacientes com demência.
Mito nº 6: Não há cura para a demência
Embora atualmente não exista uma cura definitiva para a demência, é essencial reconhecer que foram feitos progressos significativos na compreensão e gestão da doença.(11)
É muito importante saber que o diagnóstico e a intervenção atempados podem ajudar a controlar os sintomas e a retardar a progressão de algumas formas de demência. Medicamentos e terapias também podem ser eficazes para proporcionar alívio e melhorar a qualidade de vida.
A investigação em curso dedica-se a descobrir as causas subjacentes da demência, levando ao desenvolvimento de potenciais tratamentos e intervenções. Avanços promissores estão sendo feitos em áreas como terapias medicamentosas, treinamento cognitivo e modificações no estilo de vida.
A adoção de um estilo de vida saudável, incluindo uma dieta equilibrada, exercício regular e estimulação mental, demonstrou ter um impacto positivo na saúde cognitiva e pode ajudar a prevenir ou retardar o aparecimento da demência.
Portanto, embora não exista uma cura definitiva para a demência, há esperança e progresso neste campo. O diagnóstico precoce, a investigação contínua e os avanços nas opções de tratamento oferecem optimismo tanto aos indivíduos que vivem com demência como às suas famílias. Adotar uma abordagem holística aos cuidados, incluindo modificações no estilo de vida e terapias de apoio, pode levar a melhorias significativas na vida das pessoas afetadas pela doença.
Mito nº 7: É possível prevenir a demência com suplementos
Existe uma crença comum de que consumir suplementos pode prevenir eficazmente a demência. Embora manter uma dieta equilibrada e obter nutrientes essenciais seja crucial para a saúde geral, depender apenas de suplementos não garante a prevenção.
Uma dieta equilibrada, rica em antioxidantes, ácidos graxos ômega-3 e nutrientes vitais, é inegavelmente benéfica para a saúde do cérebro. Porém, é importante ressaltar que obter esses nutrientes a partir de alimentos integrais é mais vantajoso do que depender apenas de suplementos.
Apesar da extensa pesquisa, não existe nenhum suplemento específico que tenha sido conclusivamente comprovado para prevenir a demência. Embora alguns estudos sugiram benefícios potenciais, os resultados não foram consistentes em todos os aspectos.(12,13)
A prevenção da demência envolve uma estratégia abrangente que inclui a manutenção de um estilo de vida saudável, a prática regular de atividades físicas e mentais, a gestão da saúde cardiovascular e a permanência socialmente ativa. Esses aspectos contribuem coletivamente para a saúde do cérebro e o bem-estar geral.
Conclusão
Dissipar alguns dos mitos médicos comuns que cercam a demência é crucial para difundir uma compreensão precisa e fornecer os melhores cuidados às pessoas afetadas por esta condição. Ao abordar conceitos errados sobre hereditariedade, idade, perda de memória, tratamentos disponíveis e medidas preventivas, abrimos caminho para uma abordagem mais informada e empática ao tratamento da demência. Reconhecer as complexidades desta condição e manter-nos informados sobre os últimos avanços permite-nos apoiar aqueles que vivem com demência e as suas famílias na sua jornada rumo a uma melhor qualidade de vida.
Referências:
- Mebane-Sims, I., 2009. Fatos e números da doença de Alzheimer de 2009. Alzheimer e Demência: The Journal of the Alzheimer’s Association.
- Associação de Alzheimer (2019). Inclui um relatório especial sobre a detecção de Alzheimer no ambiente de cuidados primários: conectando pacientes e médicos. [on-line] Disponível em:https://www.alz.org/media/Documents/alzheimers-facts-and-figures-2019-r.pdf
- Brayne, C. e Miller, B., 2017. Demência e envelhecimento da população — Uma prioridade global para investigação contextualizada e política de saúde. Medicina Plos, 14(3), p.e1002275.
- Associação de Alzheimer (2023). Na linha de frente: médicos de atenção primária e tratamento de Alzheimer na América.
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- Kuruppu, D.K. e Matthews, BR, 2013, setembro. Demência de início jovem. Em Seminários em Neurologia (Vol. 33, No. 04, pp. 365-385). Editores Médicos Thieme.
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