Reação leucemóide: desmascarando uma imitação clínica rara de leucocitose

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No domínio do diagnóstico médico, distinguir entre várias condições é essencial para um tratamento e gestão precisos. A leucocitose, uma condição caracterizada por uma contagem elevada de glóbulos brancos (leucócitos), é um achado comum em inúmeras infecções e distúrbios inflamatórios. No entanto, em alguns casos, um fenómeno invulgar conhecido como “reação leucemóide” pode mascarar-se como leucocitose, levando a potenciais erros de diagnóstico e preocupações desnecessárias. Este artigo investiga o cenário clínico intrigante e raro da reação leucemóide, explorando suas características únicas, desafios diagnósticos, causas subjacentes e como diferenciá-la da leucemia verdadeira.

Compreendendo a reação leucemóide:

A reação leucemóide é uma condição em que a contagem de leucócitos no sangue aumenta significativamente, muitas vezes imitando a leucemia. No entanto, ao contrário da leucemia, a reacção leucemóide é uma resposta reactiva e não uma doença maligna da medula óssea. Esta reação normalmente envolve um aumento de neutrófilos, embora outros tipos de leucócitos também possam estar elevados. A característica distintiva da reação leucemóide é que ela surge como resposta a infecções graves, condições inflamatórias ou certos medicamentos, enquanto a leucemia é caracterizada pela proliferação descontrolada de leucócitos anormais.

Diferenciando reação leucemóide de leucemia:

Dadas as suas apresentações sobrepostas, diferenciar a reação leucemóide da leucemia pode ser um desafio. No entanto, vários fatores-chave ajudam a distinguir os dois: 

  • Esfregaço de sangue periférico:Um exame cuidadoso do esfregaço de sangue periférico pode revelar pistas importantes. Na reação leucemóide, os leucócitos geralmente parecem morfologicamente normais, enquanto a leucemia apresenta células anormais e imaturas.
  • Aspiração e Biópsia de Medula Óssea: Se a suspeita de leucemia persistir, ummedula ósseaaspiração e biópsia podem ser realizadas. Na reação leucemóide, a medula óssea apresenta um padrão reativo sem sinais de malignidade, enquanto a leucemia revela células anormais e distúrbios na arquitetura da medula óssea.
  • História Clínica:Um histórico abrangente do paciente, incluindo infecções recentes, condições inflamatórias ou uso de medicamentos, pode fornecer um contexto valioso para o diagnóstico da reação leucemóide.
  • Contagens seriais de leucócitos: Monitorar a contagem de leucócitos ao longo do tempo também pode ser útil. A reação leucemóide normalmente mostra um aumento transitório que se resolve com a resolução da causa subjacente, enquanto a leucemia se apresenta com uma elevação persistente e progressiva.

Causas da reação leucemóide:

A reação leucemóide é uma resposta reativa do corpo a certas condições e fatores, levando a um aumento significativo na contagem de glóbulos brancos (leucócitos). A condição pode ser desencadeada por várias causas subjacentes, incluindo: 

  • Infecções: Infecções bacterianas graves, como aquelas causadas por Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae ou espécies de Streptococcus, são gatilhos comuns de reações leucemóides. Adicionalmente,infecções viraiscomo mononucleose infecciosa, citomegalovírus e hepatite também podem induzir um aumento reativo de leucócitos.
  • Condições Inflamatórias: As reações leucemóides podem ocorrer em resposta a vários distúrbios inflamatórios, como queimaduras graves, pancreatite e artrite reumatóide. A inflamação no corpo estimula a liberação de citocinas e fatores de crescimento, levando à mobilização e proliferação de leucócitos.
  • Medicamentos: Certos medicamentos podem causar reações leucemóides como efeito colateral. Por exemplo,corticosteróides, que são medicamentos antiinflamatórios, e fatores estimuladores de colônias de granulócitos (G-CSFs) usados ​​para aumentar a produção de glóbulos brancos, podem induzir um aumento anormal de leucócitos.

Gestão da reação leucemóide:

O manejo da reação leucemóide gira principalmente em torno do tratamento da causa subjacente que desencadeou o aumento reativo de leucócitos. Isso geralmente envolve as seguintes abordagens: 

  • Tratamento de infecção:Se uma infecção for identificada como causa, uma terapia antimicrobiana apropriada é administrada para atingir e eliminar o patógeno infectante. O tratamento oportuno e eficaz da infecção subjacente pode levar à resolução da reação leucemóide.
  • Gerenciamento de distúrbios inflamatórios: Nos casos em que a inflamação é o fator determinante da reação leucemóide, o manejo da condição inflamatória subjacente torna-se essencial. O controle da inflamação por meio de medicamentos e terapias apropriadas pode ajudar a normalizar a contagem de leucócitos.
  • Descontinuação de medicamentos causadores: Se certos medicamentos forem identificados como a causa da reação leucemóide, o médico pode considerar a interrupção ou ajuste da dosagem desses medicamentos. No entanto, esta decisão deve ser tomada cuidadosamente, tendo em conta os potenciais benefícios e riscos da medicação no plano de tratamento global.
  • Cuidados de suporte:Em casos leves de reação leucemóide, cuidados de suporte e monitoramento rigoroso da condição do paciente e da contagem de leucócitos podem ser suficientes. Nesses casos, a reação leucemóide pode resolver sozinha à medida que a causa subjacente é tratada.

Conclusão:

A reação leucemóide é um cenário clínico raro que pode se apresentar como leucocitose, levantando preocupações sobre leucemia. Compreender as características distintivas e as causas subjacentes deste fenómeno reativo é essencial para evitar erros de diagnóstico e ansiedade desnecessária para os pacientes. Ao diferenciar a reação leucemóide da leucemia por meio de exames meticulosos, contagens seriadas de leucócitos e investigações apropriadas, os profissionais de saúde podem fornecer diagnósticos precisos e implementar tratamentos direcionados. Mais pesquisas e conscientização sobre esta condição rara são cruciais para melhorar a precisão do diagnóstico e fornecer atendimento ideal ao paciente em ambientes clínicos.

Referências:

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