Estratégias de comunicação eficazes para conversas difíceis com pacientes e familiares

  1. Introdução

    Uma conversa difícil na área médica é definida como uma conversa que envolve a discussão do diagnóstico de um paciente, opções de tratamento, cuidados de fim de vida ou outros tópicos delicados relacionados à sua saúde e bem-estar.[1]Dar notícias sérias sem a devida consideração pode ter um impacto mais profundo no bem-estar emocional do paciente.[5]A comunicação eficaz é crucial nos cuidados de saúde porque pode ajudar a facilitar conversas difíceis, construir confiança, melhorar os resultados dos pacientes, reduzir mal-entendidos e conflitos e fornecer apoio emocional.

    Para resolver este problema, foi formulado o protocolo SPIKES que serve de estrutura para orientar os profissionais de saúde na comunicação eficaz. Foi desenvolvido para melhorar a qualidade da comunicação e padronizar o processo, pois divide a tarefa complexa em etapas menores e gerenciáveis. Além de preparar a conversa, o protocolo enfatiza a importância de criar um ambiente apropriado, incluindo garantir a privacidade, envolver os entes queridos, minimizar distrações, informar o paciente sobre quaisquer restrições de tempo ou possíveis distrações, sentar-se para transmitir falta de urgência e manter contato visual e toque físico apropriado.[1]

    Além disso, os prestadores de cuidados de saúde da linha da frente podem receber apoio de médicos especialistas em cuidados paliativos, que podem oferecer os seus conhecimentos e experiência profissional. Além do seu conhecimento, os profissionais qualificados também podem beneficiar de pesquisas que identificam práticas de comunicação eficazes para abordar pacientes que se aproximam do fim das suas vidas. Os profissionais de saúde qualificados em comunicação eficaz estão mais bem equipados para navegar em conversas difíceis com sensibilidade e compaixão.

    Este artigo concentra-se na comunicação eficaz com pacientes e suas famílias durante conversas médicas difíceis. Enfatiza a importância de considerar a perspectiva do paciente e envolvê-lo na conversa. Discute também técnicas para comunicação eficaz como o SPIKES e a utilização de recursos de cuidados paliativos. O artigo conclui com estratégias para lidar com conflitos e divergências e atender às necessidades do paciente, oferecendo a melhor solução possível para seus problemas.

    1.1Como isso se torna difícil para os médicos:Conversas difíceis podem surgir de vários fatores relacionados ao médico, ao paciente ou à situação, ou uma combinação destes. Os factores relacionados com o médico que podem contribuir para conversas desafiantes incluem preconceitos negativos em relação a condições de saúde específicas, fracas capacidades de comunicação e stress devido a factores situacionais.

    Os fatores relacionados ao paciente podem incluir transtornos de personalidade, sintomas vagos ou múltiplos, descumprimento de orientação médica e comportamentos autodestrutivos.[1]Além disso, factores situacionais como restrições de tempo durante as consultas, conflitos com pacientes ou funcionários, ou questões sociais complexas também podem contribuir para conversas difíceis.

  2. A importância de compreender a perspectiva do paciente:

    Em conversas difíceis, o médico precisa utilizar habilidades de escuta empática e abordar o paciente com uma atitude atenciosa e livre de julgamento.[4]. O paciente desafiador deve ser avaliado quanto a condições psicológicas e médicas subjacentes, bem como qualquer histórico de abuso físico ou mental.[5]Definir limites e utilizar a comunicação centrada no paciente pode ajudar a estabelecer um entendimento mútuo e desenvolver um plano de ação.

    2.1Explorando o impacto emocional das doenças e lesões em pacientes e familiares:

    Doenças e lesões não têm apenas um efeito significativo sobre o paciente, mas também sobre seus entes queridos. Para os pacientes, lesões ou doenças podem desencadear uma série de respostas emocionais, como raiva, dor, ansiedade e insatisfação com o médico ou tratamento. Além disso, fatores como o medo do futuro e as mudanças no estilo de vida podem amplificar ainda mais essas respostas emocionais. Para as famílias, o impacto emocional também pode ser significativo, com respostas que vão desde o medo do futuro e culpa até à frustração, raiva e até depressão em alguns casos. Além disso, o encargo financeiro e a potencial perda do paciente podem contribuir para o aumento das respostas emocionais.

    2.2Empatia com os pacientes e seus entes queridos:A empatia é importante na construção de um bom relacionamento entre médico e paciente porque permite ao médico deixar de lado preconceitos e estabelecer uma conexão onde seja visto como um curador e amigo, e não apenas um prestador de serviços médicos.[1]Quando os pacientes sentem que seu médico os está realmente ouvindo e compreendendo, é mais provável que eles cumpram os planos de tratamento para obter melhores resultados de saúde.

    2.3Reconhecendo as prioridades e preferências de atendimento do paciente:Quando os profissionais de saúde precisam de ter conversas difíceis com os pacientes, é crucial abordar a conversa com empatia. Isso envolve ouvir ativamente o paciente e respeitar suas preferências de atendimento. Ao fazê-lo, os profissionais de saúde podem prestar cuidados mais centrados no paciente e construir relações de confiança com os seus pacientes.

  3. Estratégias para se preparar para conversas difíceis:

    Como parte do atendimento ao paciente, os profissionais de saúde podem precisar lidar com conversas relacionadas à progressão da doença e ao planejamento do fim da vida, o que pode ser benéfico para os pacientes. No entanto, muitos médicos consideram estas discussões profundamente desafiantes, especialmente aqueles que não estão habituados a geri-las fora de situações de alta pressão, como aPandemia do covid-19.[6]A intensidade dessas conversas pode ser amplificada durante esses períodos de alta pressão.

    3.1A importância de identificar o propósito e os objetivos da conversa:Ao ter uma conversa difícil com um paciente, é importante focar nos pontos-chave e nos resultados desejados. Isso facilitará a conversa e ajudará a alcançar bons resultados. Além disso, é importante usar afirmações “I” em vez de culpar o paciente, pois isso demonstrará empatia e terá um impacto positivo no paciente. Também é crucial ser um ouvinte ativo durante a conversa, o que ajudará a compreender a condição do paciente e proporcionará uma forma de abordar as suas preocupações e construir confiança.

    3.2Seleção de um ambiente e tempo apropriados:É importante encontrar um local e horário adequados para uma conversa, o que é crucial quando se trata de ter uma discussão produtiva e eficaz com um paciente. Perguntar ao paciente se ele está disponível e livre de quaisquer tarefas importantes ou distrações antes de iniciar a conversa é uma boa prática.[5]Isto ajuda a garantir que o paciente esteja totalmente envolvido e focado na conversa, o que pode levar a resultados positivos para a saúde. Um ambiente tranquilo e privado também pode ajudar a criar um ambiente confortável e seguro para o paciente partilhar as suas preocupações e fazer perguntas.

    3.3Preparando-se para possíveis desafios ou objeções:Como médico, é crucial abordar conversas difíceis com uma atitude de mente aberta e empática. Conversas difíceis muitas vezes podem ser carregadas de emoção e é importante estar preparado para quaisquer desafios emocionais que possam surgir. Respirar fundo e acalmar a mente podem ser estratégias eficazes para ajudá-lo a manter a calma e o foco durante a conversa.[6]Praticar técnicas de autocuidado, como exercícios, meditação ou conversar com colegas, também pode ajudá-lo a manter seu bem-estar emocional e resiliência durante conversas desafiadoras.

  4. Dominando a arte da comunicação: técnicas para conversas eficazes e impactantes

    Embora não seja bem compreendido, estudos descobriram uma correlação interessante entre a comunicação médico-paciente e os resultados de saúde do paciente no campo da comunicação em saúde.[2]Muitos estudos examinaram as características dos “pacientes desafiadores” e descobriram que um fator comum é a sua capacidade de frustrar ou provocar uma resposta emocional dos médicos. É importante reconhecer essa característica ao abordar encontros potencialmente difíceis. Os médicos que estão conscientes das suas respostas emocionais podem ser menos propensos a rotular os pacientes como “desafiadores” e podem estar mais bem equipados para gerir conversas difíceis.[5]

    4.1Entrevista motivacional:É crucial que os médicos adotem uma abordagem centrada no paciente ao conduzir entrevistas com pacientes para compreender o seu ponto de vista. Uma técnica cada vez mais popular e pesquisada é a entrevista motivacional, onde o médico explora o desejo, a capacidade, a necessidade e as razões da mudança do paciente.[1]A investigação demonstrou que a entrevista motivacional pode melhorar a relação terapêutica com o paciente e influenciar eficazmente o seu comportamento. Incentivar os pacientes a partilharem os seus pensamentos sobre potenciais causas e soluções para os seus problemas promove uma relação colaborativa para o cuidado. Quando os planos de tratamento são acordados mutuamente, é mais provável que os pacientes os cumpram.

    4.2Escuta ativa e resposta reflexiva:Ter uma boa conversa com um paciente exige ser um ouvinte ativo e responder às suas perguntas e preocupações de uma forma que resolva seus problemas. A escuta ativa envolve focar nas palavras, dicas não-verbais e emoções do paciente para compreender sua perspectiva. A resposta refrativa, que envolve reafirmar as preocupações ou perguntas do paciente com suas próprias palavras, é uma técnica útil para garantir a compreensão e construir a confiança do paciente.

    4.3Usando uma linguagem clara e concisa:Ao abordar problemas com um paciente, é fundamental usar uma linguagem clara, simples e de fácil compreensão. É melhor evitar o uso de palavras ofensivas ou difíceis, pois podem criar confusão ou fazer com que o paciente fique na defensiva. Falar com os pacientes num tom formal mas amigável pode ajudar a estabelecer confiança e respeito, o que é essencial para construir uma conversa saudável.

    4.4Fazer perguntas abertas para encorajar o diálogo:Fazer perguntas abertas pode incentivar o diálogo e ajudar a outra pessoa a se sentir ouvida e compreendida. Este tipo de perguntas não podem ser respondidas com um simples “sim” ou “não” e podem ajudar a explorar os pensamentos e sentimentos da outra pessoa sobre a situação. Aqui estão alguns exemplos de algumas perguntas abertas:

    • Questionar os pacientes para explicar como estão se sentindo os incentiva a fornecer um relato mais detalhado de seus pensamentos e emoções. Essa investigação auxilia na compreensão do ponto de vista do paciente e na detecção de quaisquer apreensões que ele possa ter.
    • Outra pergunta: “O que mais o preocupa em sua condição?” pode ser valioso para compreender as preocupações e ansiedades do paciente. Além disso, permite que os profissionais de saúde abordem suas preocupações e ofereçam garantias.
  5. Estratégias para lidar com reações emocionais em conversas:

    Ter conversas médicas difíceis pode evocar fortes emoções nos pacientes e nas suas famílias. É essencial enfrentar estas reações emocionais de forma solidária, o que é útil na construção de um relacionamento forte com os pacientes, necessário para uma conversa saudável.

    5.1Reconhecer e validar emoções expressadas por pacientes e familiares:é muito importante reconhecer o ponto de vista do paciente e de sua família em relação a uma determinada condição, isso pode ser feito por meio da escuta ativa e da resposta às suas dúvidas com empatia.[5]Isso contribuirá positivamente para o processo de cura.

    5.2Fornecer apoio e garantia:Quando a família e o paciente recebem alguma notícia séria sobre a condição médica do paciente, é óbvio que ficarão chocados e demonstrarão ansiedade e raiva. É responsabilidade do médico responder às suas dúvidas, demonstrar empatia para com eles e dar-lhes possíveis opções de tratamento para aquela condição.

    5.3Encaminhar pacientes e familiares para aconselhamento ou outros serviços de apoio, conforme necessário:Ao demonstrar empatia pelos pacientes, é possível que seus familiares precisem de algum outro tipo de ajuda sua além do serviço prestado por você. Deixe-os saber que você está lá para apoiá-los e que eles não estão sozinhos em sua jornada.

  6. Do conflito à colaboração: estratégias eficazes para responder ao desacordo:

    6.1Compreendendo a fonte do conflito e do desacordo:É muito importante compreender a principal causa raiz do conflito e desacordo, e depois de compreendermos abordar o problema desta forma estaremos removendo o conflito e o desacordo da conversa.[7]

    6.2Praticando a escuta ativa e a comunicação respeitosa:Um bom médico é sempre um bom ouvinte. Ouvir ativamente o problema do paciente e alcançá-lo em tom empático pode levar a uma boa comunicação entre o paciente e o médico.

    6.3Buscando pontos comuns e áreas de comunicação de acordo:Sempre há um desacordo e também um acordo em algum ponto. Portanto, como bom médico, é necessário eliminar o desacordo concentrando-se cada vez mais em um acordo ou em tópicos comuns.

    6.4Identificando compromissos e soluções potenciais:Em primeiro lugar, o médico deve abordar o problema e a principal preocupação sobre a doença e depois dizer um não ao paciente. de solução para o problema e então selecionar a melhor solução para o problema de acordo com o paciente para satisfazê-lo.

  7. Conclusão:

    A comunicação eficaz é um componente crucial para fornecer cuidados de saúde de alta qualidade. Permite aos médicos participar em discussões abertas com os pacientes e as suas famílias, o que desempenha um papel vital na procura de soluções que satisfaçam as suas necessidades. Por outro lado, a falta de comunicação pode resultar em erros médicos, mal-entendidos e frustração para todos os envolvidos. Portanto, os profissionais de saúde devem ser treinados para simplificar conversas complexas, permitindo que os pacientes compreendam a sua condição e as melhores soluções possíveis disponíveis. A comunicação eficaz também requer colaboração entre profissionais de saúde, incluindo médicos, enfermeiros, farmacêuticos e outros membros da equipe de saúde. Através do compartilhamento de informações e do trabalho conjunto, eles podem fornecer cuidados coordenados que atendem às necessidades exclusivas de cada paciente.

    Para alcançar melhores resultados de saúde, uma comunicação eficaz é essencial, pois permite aos profissionais de saúde compreender as preocupações dos pacientes, fornecer-lhes as informações necessárias e envolvê-los na tomada de decisões partilhada. Os profissionais de saúde podem melhorar suas habilidades de comunicação por meio de diversos programas educacionais e de treinamento, como workshops, simulações, dramatizações e cursos on-line. Investir na educação e formação contínuas em competências de comunicação pode ajudar os profissionais de saúde a desenvolver os conhecimentos necessários para prestar cuidados centrados no paciente. Portanto, é crucial que os profissionais de saúde recebam educação e treinamento contínuos em habilidades de comunicação para fornecer cuidados de alta qualidade e melhorar os resultados dos pacientes.

Referências:

  1. https://ascopubs.org/doi/full/10.1200/OP.20.00269
  2. https://mail.google.com/mail/u/1/#search/garg/FMfcgzGslkgHPHwmqSTvSJJXjtpxPgKk
  3. https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0738399108006319
  4. https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0738399108006319
  5. https://bmcpalliatcare.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12904-021-00876-2
  6. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7586512/
  7. https://link.springer.com/chapter/10.1007/978-3-030-86386-9_9
  8. https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/10497323211056312?journalCode=qhra